13 de jul de 2009

O Despertar (6° Parte)


A lua já ia alta no céu quando Kália viu as luzes cortando o campo alem do rio. Não demorou para que chegassem até ela o ronco dos motores e os gritos ensandecidos do bando. Olhando para trás viu a cidadela às escuras, como ordenara e as sombras das sentinelas e de suas irmãs nos pontos pré combinados. Sentia nos ouvidos a palpitação de seu coração, era como um tambor que ia aumentando de ritmo até que nada mais podia escutar a não ser essa batida de guerra. O corpo relaxado era um atestado de seu treinamento. A mão leve sobre a espada, os pés afastados, os olhos presos no alvo, mas seu interior em chamas. Era hora da batalha e aquela dentro dela que amava o combate estava viva e esperando ansiosa pelo momento de atacar.
Como Kália previra as motos se dirigiram diretamente para o abrigo antes intocado e logo pode ouvir o barulho de metal contra metal, enquanto arrombavam o cadeado, e o partir da madeira quando desistiram de tentar e atacaram a porta provavelmente com um machado. Eles não viriam à cidadela hoje e Kália não queria esperar.
Com um assobio curto chamou a atenção das outras que em poucos segundos se encontraram com ela no portão principal.
“Teresia, mande um vigia ficar ao portão. Que o tranque assim que sairmos, nada de usar os cavalos agora, preparem-se para correr e o mais silenciosamente possível, isso é para você Cami, nada de sair tropeçando em tudo agora.” Cami acenou um sim envergonhado, ainda se afobava demais na hora de lutar, o medo de mãos dadas com a coragem, mas sabia obedecer ordens ainda mais quando vindas de Kália que não admitia erros. Erros custavam vidas e todas ali sabiam disso muito bem.
Passaram as onze pelo portão que se fechou silenciosamente às suas costas. Kália seguia à frente de olhos na outra margem e nas luzes das motocicletas que iluminavam as figuras ameaçadoras dos bandoleiros. Correram em silencio por 300 metros até o rio e em vez de pular pelas pedras como Kália e Analice haviam feito naquela tarde, entraram na água gelada e deslizaram até a outra margem. Os homens não haviam notado nada, estavam ocupados demais em escolher o que levariam.
Kália os contou rapidamente, eram 14. Não seria difícil abate-los, eram homens brutos, mas que não tinham unidade entre eles. Nestes bandos era cada um por si na hora da batalha enquanto as guerreiras lutavam unidas como uma só mente.
Um deles não se juntou aos outros, ficou recostado na moto fumando e Kália praguejou por não ter levado o arco, seriam vistas antes do que ela pretendera, mas que assim fosse. Fez sinal para as outras, apontando para o homem na moto, e esperaram que ele desviasse a atenção para os companheiros para disparar em direção ao galpão.
O homem na moto sentiu, mais do que viu, o movimento das guerreiras se aproximado, gritou para os companheiros e sumiu por trás do galpão saindo do raio de visão de Kália.
É inútil descrever toda luta, foi como tantas outras. Espadas se chocando, sangue jorrando, gritos, suplicas. Morte. Cami foi ferida no braço e quase perdeu sua espada, mas Teresia, sempre perto da mais nova, aparou com sua espada o golpe que a poderia ter matado. Eledia ficou desacordada uma boa meia hora com a pancada que levou na cabeça, mas suas irmãs lutaram à volta dela protegendo seu corpo de novos ataques. Kália matou quatro deles rapidamente e depois se viu cercada por três mastodontes com pedaços de pau e facas longas, que gostavam de usar para cortar os pescoços de quem dormia. Um deles acertou sua perna com uma paulada que a fez fraquejar, outro lhe cortou o ombro com uma faca curva, mas para ela isso era somente o esperado. Um a um ela os abateu e logo, olhando em volta, viu que a batalha terminara. Agora era contar os corpos, cuidar das feridas e voltar para a casa da irmandade mais próxima para descansar até que a próxima missão a levasse pelo mundo afora.
“Temos 13 corpos, Kália.” Disse Teresia.
“São 14, Te, não 13.”
“Temos somente 13 corpos.”
“Merda! Leve quem estiver ferida de volta para a cidadela, pegue um cavalo para mim e para quem mais puder me acompanhar e vamos atrás dele.”
Nem bem acabara de falar e o sino de alarme da cidadela começou a tocar.
Continua....
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