29 de mai de 2008

Bondade

A bondade não tem cheiro, idade ou beleza, mas pode ser vista no brilho de uma lagrima, em um sorriso complacente, no olhar doce, nas mãos amigas. A bondade não tem cor, nem religião e muito menos língua. A bondade mora dentro do peito onde todos somos iguais, feitos de carne, banha, músculos, veias e órgãos. A mão que se estende pode nem sempre estar limpa, mas se está estendida a tome, pois quem a estende merece ao menos essa delicadeza. A bondade não tem carteira, ela independe de status e carreira, é algo muito precioso para poder ser guardado em cofres e muito simples para adornar pescoços em correntes de ouro. A bondade é artigo raro, cada vez mais difícil de se encontrar, mas mesmo exposta não é reconhecida por corações endurecidos pela fúria do século 21. Não sei se o que está pequena é a mente dos humanos ou se somente seu espírito que se desintegra a cada dia, mas o fato é que julgamos o próximo por padrões que não queremos nos ver impostos e nos fazemos de cegos quando o pacote não é tão belo quanto o recheio. A bondade existe, meus amigos, mas é ignorada, pois os que ainda se incomodam em demonstrá-la somente a podem ofertar em pequenas doses. Quer a minha mão? Ou meu ombro amigo? É só o que tenho para dar, mas é mais do que muitos podem lhe oferecer.

27 de mai de 2008

O homem Verde

Ele era feito de dias e noites, de terra e ar, de folhas e frutos. Tinha no lugar de coração um rubi gigante que brilhava incessantemente dentro de seu peito. Era um homem, sim, mas tão diferente dos outros de sua raça quanto um leão o é de um simples gato. Ele gostava de olhar o mundo, mas nunca era observado, se mesclava à vegetação que dançava ao seu redor e chorava sementes pelo caminho que a humanidade tomava. As flores que nasciam de seu pranto viviam eternamente, murchando e revivendo para espanto daqueles que as viam brotar por entre o asfalto ou no meio do deserto. Pois ele andava.sem descanso e também sem descanso deitava sementes pelo caminho, mas quando olhava para trás via somente mãos ávidas arrancando as margaridas, pés sujos espezinhando as hortênsias, corações gelados passando sobre as rosas e olhos vazios ignorando os girassóis. Ele continuou a andar, mas cada vez mais longe dos homens, tomou posse de um monte e lá vive em meio às flores e arvores esperando que um dia alguém com um coração de carne e sangue sinta prazer no éden que planta com suas lagrimas.

25 de mai de 2008

Homens


Não é preciso muito para agradar um homem. Também não é preciso muito para desagradá-lo. Por mais que se fale as mulheres ainda continuam querendo discutir a relação, continuam insistindo em falar dos sentimentos, continuam perguntando se estão gordas, se a roupa nova cai bem e se notaram seus penteados novos. NÃO! Homens não notam nada à não ser que sejam obrigados. Eles não querem falar de seus sentimentos e nem mesmo discutir para onde vai a relação, se não for para a cama, não lhes interessa. Homens são criaturas simples, deixem que eles vejam seu futebol, que joguem poker com os amigos uma vez por semana ou simplesmente vão encher a cara com os amigos no bar. Um pouco de liberdade é tudo que eles precisam para agradá-los. Homens somente são realmente homens quando podem interagir com sua própria espécie. As mulheres precisam aprender que exigir que um homem lhes dê completa atenção é a melhor forma de fazer com que eles façam exatamente o contrario. Quem suporta viver voltado somente para uma pessoa? Perpetuamente colado como um monstro de duas cabeças com mentes tão distintas que o fim é uma cabeça tentando devorar a outra. Não. Homens precisam de espaço, de cumprimentos simples e óbvios, de sexo honesto e comprometido e de riso. Mulheres que perdem o bom humor durante um relacionamento estão fadadas ao fracasso. Por um sorriso em lábios masculinos é tão divertido quanto fazer rir à uma criança. É fácil e pode lhe dar mais recompensas do que todo biquinho do mundo.

22 de mai de 2008

O meu está pela metade.

Existem coisas que me irritam, e isso não é novidade já que muito me irrita nos dias de hoje, mas certas pessoas com sua filosofia de botequim pegam em um nervo que desperta meu lado homicida. Os malditos livros de auto-ajuda são prato cheio para essas pessoas que adoram vomitar as frases batidas e os pensamentos rasos. “Para você o copo está meio cheio ou meio vazio?” Ah... Esta perguntinha me faz afiar facas imaginarias e carregar minha magnum 44 fantasma, é típico de pessoas que dizem achar que o copo está sempre meio cheio, mas são elas mesmas sempre meio vazias. Para deixar o registro, para mim o copo está pela metade e direi que está meio vazio se quero que o encham e que está meio cheio se já atingi meu limite. Todo mundo que lê esse tipo de livros compulsivamente nunca chega aonde quer, parece que o simples fato de se importarem tanto em seguir os ensinamentos vazios atrasa seus passos. Pensamento posivivo, my ass! É muito bom estar de bem com a vida, sorrindo á toa, pensando que tudo VAI melhorar, mas ser assim 7 dias por semana 24 horas por dia é tão irreal quanto coelhinho da Páscoa botar ovo (não, crianças, ele não bota ovo, os pega pronto de um ganso de chocolate). Um depressãozinha não faz mal à ninguém e nem um pouco de pessimismo, vejo todos os dias os otimistas com caras espantadas por não verem seus sonhos realizados. Ser realista quanto às possibilidades de merdas acontecerem é sadio e evita muita dor de cabeça futura. Portanto... Não importa como você vê seu copo, o que importa é como, no final das contas, fica o balanço de sua vida.

5 de mai de 2008

Hora do ensaio


“Andréa! Você já vai?”
Vejo a companhia toda reunida para o começo dos ensaios e fico mais do que tentada a mandar as obrigações que gritam por mim em casa e me deixar ficar. Minha passagem pela cafeteria foi proposital, sabia que estariam ensaiando para a próxima opera e sempre gosto de roubar um pouquinho da próxima apresentação. Doses homeopáticas que me enchem o coração de algo como chocolate derretido com fios de marshmallow.
Ele pede que um deles cante minha ária favorita de La Boheme. Choro, como sempre. Lagrimas que se derramam sozinhas pulando de meus olhos que piscam incontrolavelmente. Quero vê-los cantar, seus rostos alegres nesse momento de descontração, o recreio do ensaio, como jogadores de futebol que descansam batendo bola na praia.
Vejo que ele me olha, sorri, sabe muito bem que amo o que vejo e escuto. Posso não saber se é a melhor atuação que pode haver, pode até mesmo não ser, mas quem liga quando se tem o coração cheio de chocolate derretido com marshmallow?