2 de fev de 2011

Atos de amor (ou "A droga das batatinhas")


As pessoas esperam grandes gestos como atos de amor quando na verdade são os pequenos gestos que importam. É fácil alugar um balão com EU TE AMO impresso em letras garrafais, o difícil é dizer eu te amo para alguém adormecido em um sussurro todos os dias. É fácil comprar um diamante montado em um belo anel de ouro, o difícil é cuidar das pequenas necessidades diárias que consomem tempo e energia. É fácil prometer compreensão, dedicação, fidelidade, o difícil e cumprir com sua palavra. Para mim o que vale, no final das contas são aqueles gestos que passam despercebidos e que na verdade dão tanto trabalho e custam enorme dedicação. Talvez a melhor maneira de me fazer entender é dizendo que amo batatinhas. Fritas ou assadas bem tostadas no forno são minhas preferidas. Mano urso e eu sempre dizemos para a Mama que nunca se pode fazer batatas demais. N-U-N-C-A. E assim chegamos a mil almoços de domingo e travessas recheadas de batatinha que eu e Mano urso vamos sistematicamente mastigando com prazer. Ao fim sobram umas poucas que nós, já exaustos pelo ataque, vamos garfando uma a uma quando o desejo pelos outros pratos já acabou há muito tempo. E eu paro. Paro antes que meu desejo pelas batatinhas acabe, antes que esteja saciada, antes que a gula pare de resmungar. Paro porque deixo para ele as ultimas. Sempre. Pode rir se quiser, achar que é simplificar muito um ato de amor, mas é um ato que repito a cada dia que as danadas das batatinhas estão à mesa e que me custa alguém esforço e muito prazer ao ver como ele fica feliz ao abocanhá-las. Então, se pretende demonstrar seu amor, comece pelas batatinhas. Quando depois de mil batatinhas você ainda estiver disposto a se privar do prazer pelo prazer de outro ser, então sim, vá lá e alugue a merda do balão.
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