26 de jul de 2009

O Despertar (12° Parte)


A sala de Donata era mais uma sala de estar que um gabinete de trabalho. Num canto se podia ver um baú cheio de brinquedos e no sofá e poltronas vários trabalhos de tricô e crochê em vários estágios. Ela sempre fora uma mãe para todas à sua volta, crianças a procuravam para julgar suas brigas, adolescentes para que explicasse o caos que seus hormônios tornavam suas vidas e guerreiras feitas vinham chorar em seu ombro suas duvidas, pedir ajuda para traçarem seus planos ou simplesmente para tomar seu chocolate quente. E sua sala se mostrava tão acolhedora quanto sua pessoa.
“Empurre os livros e agulhas e sente, vamos esperar Anya chegar.” Donata avisou Kália.
“Você não me disse que havia chamado minha mãe. Acho que prefiro não vê-la agora. “ E se preparou para sair.
“Deixa de ser uma pirralha e senta. Você e ela são as mais experientes guerreiras na casa no momento. Preciso de vocês duas não importa o que sinta.”
Kália se sentou com um suspiro. Como sempre os sentimentos tinham que ser deixados de lado porque antes de ser mulher precisava ser uma guerreira.
“Eu entendo seu rancor, Kália, mas um dia vai precisar esquecer e seguir em frente. Sua mãe sempre foi uma guerreira por inteira, mas isso não diminui o amor que tem por você.”
“Eu fui um erro em sua vida, não fruto de amor, mas de uma noite mal calculada.”
“Não somos todas nós, filhas de guerreiras, fruto de um momento? Algumas de nós somos mais maternais, outras não, mas nenhuma guerreira deixou de considerar um filho ou filha uma benção. Você precisa esquecer Kália, não foi Anya que a separou dele, ela foi contra a decisão de chama-la, assim como eu. Por ela você estaria casada vivendo naquele vinhedo e povoando o mundo de pequenos seres remelentos.”
Kália levantou pronta a tirar exigir uma explicação de Donata, pois a ordem de voltar, deixando sua felicidade para trás, partira de Anya, mas não teve tempo, sua mãe entrou na sala sem bater.
“Aqui estou Donata. Bom dia, filha.” Anya beijou Kália timidamente, como esperando que esta se esquivasse e se surpreendeu quando esta não o fez.
“Sentem-se as duas. Precisamos conversar. Tenho recebido relatos preocupantes, ou melhor dizendo, os que tenho recebido o são e os que não tenho me deixam ainda mais preocupada.”
“Donata, sabe que às vezes as noticias demoram a chegar.” Anya observou.
“E realmente as coisas andam mais agitadas que o normal, mas o que a leva a achar isso alarmante?” Emendou Kália.
“Somos uma casa das mais famosas, muita gente sai de seu caminho só para vir descansar das missões aqui. Recebemos grupos diariamente, novas aprendizes também chovem à nossa porta, tanto que temos que envia-las para outras casas ou não damos conta. N entanto em quatro semanas mal ouvimos falar do mundo lá fora e quem chega, viajantes vindo comprar nosso mel e nossas infusões, nos falam de cavaleiros de negro que viajam às centenas e de casas da Irmandade destruídas e guerreiras assassinadas à traição.”
“Deve ser exagero, sai de minha casa há dois mês e tudo estava normal.” Kália disse mas ficou pensando em como em dois meses de andanças não cruzara com nenhum outro grupo de guerreiras.
“Viajo a três meses já em voltar para a minha casa e confesso que encontrei poucas irmãs pelo meu caminho.” Anya contou enrugando a testa.
“Vejo pela cara das duas que começam a perceber que algo anda mal para a Irmandade. Vocês são as melhores guerreira que conheço, quero que escolham as melhores guerreiras e vejam se há fundamento no que andam contando por ai. Se existe algum tipo de plano contra a Irmandade precisamos tomar providencias urgentes. Um plano contra nós é um complô contra a Lei.”
“Tenho dez guerreiras comigo, mas algumas precisam de repouso.” Kália falou alto, mas já pensando em quem levaria consigo.
“Também estou desfalcada.” Anya mordeu o dedo e olhou para Donata sabendo que esta devia ter planejado já algo.
“Tenho cem guerreiras em treinamento em minha casa, posso garantir que vinte estão mais que maduras e já participaram em mais de uma missão, trinta estão prontas para enfrentar sua primeira missão e temos três grupos, fora o de vocês duas que estão aqui há bastante tempo, portanto todas recuperadas e prontas para a batalha.”
“Então convoque todas para uma reunião após o jantar. Formaremos o grupo hoje e estudaremos nossa rota amanhã. Preciso ainda de uns dias para me recuperar de vez e depois pegamos a estrada. Vou falar com minhas irmãs agora, se não se importam.” Kalia saiu após as duas outras lhe darem permissão.
“E ela nem percebe.” Sorriu Donata
“O que?” Anya se inclinou para frente, mas ainda surpresa de ver a filha tão segura de si. Tantos anos perdidos, já nem a conhecia mais.
“Nem percebe que é uma líder. Ignorou a nos duas como se não fossemos guerreiras muito antes dela. Se não ficasse tão preocupada em imaginar o que teria sido poderia ver o que pode se tornar. Um dia ela vai enxergar, Anya. Ela é a melhor entre todas que já vi.”
Continua...
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