6 de jul de 2009

O Despertar (2° PArte)


Analice não pôde evitar de derramar algumas lagrimas ao ver os animais assim apodrecendo ao sol, desperdiçando a carne que alimentaria a aldeia e poluindo a água, era triste demais, mas os aldeões sabiam que aquela era a prova do crime e que a guerreira precisava ver para julgar. A menina sentou em uma pedra, com o grande arco aos pés e observou enquanto a mulher checava os animais e depois seguia os rastros do outro lado do rio. Analice ouvira o barulho das motocicletas rondando os muros da vila e ouvira os gritos do bando que se divertira com a carnificina, lembrava-se de pensar que finalmente teriam uma guerreira em sua vila e logo se arrependera do pensamento, mas não pudera deixar de se sentir animada.
“Garota, vem cá.” A guerreira chamou e lá foi a menina, pulando de pedra em pedra carregando o grande arco.
“Sim, senhora.” Ela se apresentou à frente da mulher.
“Meu nome é Kália, não senhora.”
“Sim, senhora.” Assentiu a garota corando ao cometer o erro novamente, mas a guerreira somente sorriu.
“O que guardam nestes barracões tão longe da vila?”
“Coisas velhas. Carros quebrados, motocilcetas sem motor, gerador velho. Tudo que precisa esperar a visita do recuperador.”
Recuperadores eram raros e caros. Andavam pelo mundo com seus caminhões cheios de peças consertando o que podiam. Aventuravam-se pelas ruínas das cidades antigas e das usinas em busca de material e gasolina, mas eram tão poucos que uma vila podia passar anos sem vê-los.
Kália foi até o galpão e viu que o bando não havia forçado o cadeado. Ainda voltariam, com certeza. Nunca deixavam de revirar cada local desprotegido e se o galpão fora poupado é porque estavam por perto. Ainda.
Estavam perdendo o medo. Os ataques às vilas haviam aumentado muito nos últimos anos e era cada vez mais freqüente uma guerreira chegar a uma aldeia e encontra-la ainda sitiada. Num passado não muito distante era preciso caçá-los às vezes por meses, mas agora pareciam esperar por estes combates, testando as fraquezas da irmandade, sua agilidade em chegar aos confins do mundo a tempo de salvar vidas e posses.
Kália tinha 30 anos e já estava cansada. Não se lembrava da ultima vez em que tivera um mês sem uma missão. Não se lembrava de ter dormido na mesma cama por mais que poucas semanas. Por vezes até esquecia que era mulher. Via como a menina a olhava e não sabia se sua vida teria sido melhor como uma frágil camponesa, como a menina estava fadada a ser. Era tarde demais, de qualquer maneira, para mudar sua vida. Era parte da irmandade e nem podia imaginar viver de outra maneira do que no lombo de um cavalo ou sobre uma motocicleta, quando podia por suas mãos em uma. Não podia imaginar viver sem liberdade. E nem sem sua espada.
Continua...
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Um comentário:

Eu... disse...

Sou amante de filmes e contos épicos; mas nenhum se compara com a atuação de Guinevere em Rei Arthur. Fiquei estasiado na cena em que ela aparece depois de ser libertada por Artur e ter as mãos curadas com seu arco; mesmo Arthur se surpreende com a destresa dela e seu Arco.