18 de jun. de 2009

Nada mais. Nada menos também.


Pessoas que se dão tremenda importância me são completamente desinteressantes. Parece para mim que mais elas se acham, menos elas são. Sou do tipo que se posso usar duas palavras provavelmente usarei quatro para dar mais cor, mas nunca dez. Talvez seja isso que me torne menos culta, bem menos intelectual em minha feliz ignorância de certos fatos e ditos, mas não nasci para a genialidade, nasci para a esperteza das ruas talvez. O que sei aprendi sozinha ou usando minha enciclopédia ambulante (mano Urso em todo esplendor) e gosto das coisas assim. Sei de tudo um pouco, de algumas coisas sei muito e de muito poucas sei absolutamente tudo e é muito mais do que muitos vão saber durante todas suas vidas. O reconhecimento que desejo, seja em meu trabalho diurno ou em meu prazer noturno (escrever, somente escrever, seus depravados!) é o mesmo que qualquer ser humano deve almejar e em meu prazer noturno eu dispenso as criticas de quem me julga pobre demais para seus cérebros. Não sou intelectual ou colecionadora de frases celebres. Sou uma contadora de historias com orgulho. Do meu querido leitor o que peço é amizade, um pouco de compaixão por esta alma torturada e olhos atentos para ler cada palavra que quero sorvidas com paixão. Essa sou eu. Nada mais. Nada menos também.
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19 de mai. de 2009

Nada


Às vezes é mesmo nada. Somente melancolia e esperamos que as pessoas parem de perguntar “O que você tem?”, mas ninguém nunca acredita em “nada”. Às vezes é somente aquela saudade do que não foi, do tanto trabalhado para chegar a lugar nenhum, dos planos que deram para trás e dos que foram em frente, mas por caminhos inesperados. Às vezes é tudo, tão tudo que acaba sendo nada. É aquela sensação de flutuar numa nuvem cheia de pensamentos incompreensíveis que confundem suas intenções e apagam sua vontade. Às vezes é somente nada e a cada vez que nos perguntem “O que você tem?” vem essa obrigação de ser alguma coisa e mergulhamos em nós mesmos em busca de respostas que simplesmente não existem. Às vezes é somente nada.
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16 de mai. de 2009

Passion


Paixão não é amor. Paixão é algo que exige ser saciado, como uma fera na hora do lanche da tarde. Não existe bom senso na paixão, nem limites. No amor se aprende com a convivência, se respeita e admira e o sentimento cresce e evolui podendo durar por uma eternidade. Ou não. Mas a paixão não espera. Não há paciência, somente o desejo desesperado de por fim aquela coceira que parece nunca estar no lugar certo quando se coça. O mal da paixão em nossos dias é que se transforma facilmente em obsessão. Todos querem a rendição imediata do objeto de seu desejo, é como se esquecessem que sentimentos podem não ser retribuídos, que a luxuria pode não ser correspondida. Confundir paixão com amor é o mesmo que achar que pipoca é uma refeição completa e não algo para simplesmente divertir o paladar. É triste ver como as pessoas não sabem mais explorar os benefícios de uma paixão. Com o amor o comprometimento altera vidas, muda rotinas, borra personalidades, mas a paixão pode ser vivida até ser consumida às cinzas sem que nada mude. Uma fogueira imensa e potente que quando se extingue deixa em seu rastro lembranças abrasadoras e a sensação de se estar amplamente saciado. E aqui se deve escrever “Fim”. Nada mais.
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13 de mai. de 2009

Moon

A lua se pendura tão alto no céu que duvido do sol que já ilumina toda minha cidade. É como um fantasma da lua, quase transparente. Suas crateras, vales e pequenos montes colorem de cinza a superfície prateada e me encantam. Como me encantam. Enquanto os carros voam ao meu redor eu somente tenho olhos para ela, a minha velha e bela companheira, e aguardo que a noite chegue para que seu feitiço mais uma vez tire de minha mente as coisas mundanas e me deixe somente com as quimeras. Da janela do meu quarto, que gosto de ter aberta para seu brilho enquanto me aconchego no escuro, já a vi de todas as maneiras. Gosto de sentar na cama, laptop no colo, bem encostada para melhor vê-la entre as dobras da cortina que dança com a brisa. Ela me seduz como nenhum homem nunca o fez, porque o faz sem palavras ou promessas. Eu sinto como se tivéssemos uma ligação, como se entre mim e ela uma escada se materializasse quando duvido de minha insanidade, pois insana sou e feliz por o ser tendo por madrinha aquela que comanda as marés e domina o sonho dos apaixonados. A lua me pede que reflita, não na vida ou no futuro que virá, mas sim no que me espera a cada vez que subo mais um degrau da escada que me leva a ela. Um degrau a cada vez.
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12 de mai. de 2009

Standing Sill

Ela estava absolutamente imóvel e o mundo andava. A Avenida Paulista mais parecia um formigueiro e o inicio da noite era suave e convidativo. As pessoas saiam dos edifícios e logo seus passos se tornavam mais ágeis, seus rostos perdiam a tensão sob a noite morna. A brisa suave varria as mesas na calçada, cheias daqueles protelando o momento de se ver novamente entre quatro paredes. Mas ela permanecia imóvel. Não que a noite não a tentasse, não que não respirasse mais fundo o ar menos viciado do que de seu escritório, mas estar assim imóvel em meio a tanto movimento lhe dava a sensação de ser invisível. As vozes a atingiam como ondas, trechos de conversas chegando a ela como a maré, pedaços de vidas, dramas, comédias, tudo se misturando em uma balburdia surda. Em sua completa exaustão depois de mais um dia de trabalho, sua imobilidade lhe devolvia a percepção do mundo. Na insanidade diária ela muitas vezes se esquecia de apreciar o mundo a sua volta, por mais louco que fosse. Hoje, imóvel, ela se tornava o mundo.
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9 de mai. de 2009

Anjos de Pedra

Sonhando acordada olho por cima do muro e vejo as lapides altas e os rostos pacíficos sugeridos na pedra ou mármore. Passo, agora, todos os dias em frente a este ultimo retiro e é meu sinal de que estou à dois minutos de meu trabalho, mas a cada dia me fascina mais esse vislumbre de mossa mortalidade. Posso quase sentir o sol aquecendo as lapides onde em dia dos mortos muitos se sentam descansando os pés ou aguardando que a memória, sempre falha, os lembre onde seus entes queridos descansam. Posso quase sentir o cheiro das flores esquecidas, murchas e secas à espera que alguém dê a elas o mesmo descanso que àqueles a quem homenagearam. Um portão me deixa entrever a capela pequena por onde andam pessoas com rostos tristes que certamente ainda não sabem como lidar com a perda daqueles que logo repousarão por trás dos muros por onde passo todos os dias. Há algo de incrivelmente relaxante nesse lugar. Talvez seja a inevitabilidade de sua existência. Talvez seja a paz que nada mais pode fazer a não ser reinar nessa terra para onde mortais não podem trazer suas intrigas. O que antes me parecia desolado e deprimente agora me parece encantador. Em meu estupor matinal quase sinto os anjos por sobre os túmulos lançando olhares sábios para nós, pobres mortais, que passamos por estes muros todos os dias.
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1 de dez. de 2008

Resposta ao comentário anônimo.

Caro anônimo, deixe sempre seu email.

Quanto à meu livro e musica preferido... Uau, você pegou uma pessoa difícil para responder uma pergunta tão fácil. Tenho escritores de todos os tipos para todas as ocasiões, alguns livros que amo nunca tentei um segundo do mesmo autor, e outros autores eu coleciono os livros obsessivamente.
Da-se o mesmo com musica. Algumas bandas me agradam sempre e outros são passageiros ou se restringem a uma ou outra musica.
Sendo assim sua resposta é bem mais longa do que espera.

Autores:
Os seguintes autores são meus guias ou simplesmente meu divertimento.
Stephen King, Charles Dickens, Shakespeare, Jane Austen, Dashiell Hammett, Raymond Chandler, Meg Cabbot, Alexandre Dumas, Ayn Rand, Janet Evanovich, Patrick O'Brian, Lemony Snicket, JK Rowling, as irmãs Brontë e, claro, Agatha Christie.
Existem outros, existem muitos livros que amo como How to kill a Mockingbird e Rebecca que releio até suas paginas caírem.
Alem destes tenho pilhas de livro pipoca, principalmente suspense e policiais que devoro com prazer.

Musica:
No momento meu MP3 está tocando sem parar Richard Ashcroft, Paolo Nutini e algumas de Natasha Bedingfield com ênfase em Richard Ashcroft principalmente Music is Power. O que nunca sai do MP3 é Red Hot Chili Peppers, não vivo sem eles. Tenho também um longo relacionamento com Simple Red, The Who, Rolling Stones e Beatles. Adoro Aretha Franklin quando estou escrevendo contos suaves, Carmina Burana para os góticos e Red Hot Chili Peppers para quase todos os outros. Pode jogar Foo Fighters na frigideira também. E adoro ópera e clássicos.

Kiss
Com a mão esquerda na tala e remédio pra inflamação do tendão.
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30 de nov. de 2008

A Primeira


O pulso irradia uma dor imensa para todo o braço. O sinusite faz o nariz parecer cheio de algodão, a garganta dói assim como o ouvido esquerdo e nem falo da cólica porque passe a noite a ignorando porque o resto já é por demais desconfortável. Levanto no sábado sonhando com um dia de sofá e comida que desça sem esforço e então me lembro que algo importante vai acontecer nessa tarde. Lembro de minha querida amiga Vivian dizendo “Não vá esperando demais, são somente crianças.” Mas eu espero. O banho me devolve um pouco da cor e me deixa disposta para enfrentar as próximas horas. Me arrumo como posso e pego a chave do carro das mãos de mano Urso com um suspiro cansado. O transito é infernal, me faz odiar essa insanidade natalina, e demoro quase uma hora para chegar ao colégio onde se apresentará a peça. No auditório as famílias se reúnem e todos conversam entre si. Sento-me na terceira fila sozinha. Ninguém me conhecem alem de Vivian que está por trás provavelmente dando o ultimo retoque nas crianças. A coordenadora por fim aparece, acompanhada por minha amiga, e ambas falam algumas palavras. Vivian me embaraça quase até as lagrimas quando me apresenta e todos se viram para me olhar a aplaudem. Sorrio sem jeito sabendo que estou roxa e quando mais roxa me penso, mais roxa fico. Por fim a peça começa e eu rio mesmo sabendo cada palavra, já que eu que as escrevi. Rio do riso dos outros e rio de prazer. Tudo acaba rápido e mal abraço Vivian já fujo, será que todo autor tem medo de ouvir o que dizem de sua obra? Mas o riso me disse o que eu precisava saber, riso de adultos levados à ele por atores mirins e minhas palavras. O transito já não me incomoda, meu pulso machucado é ignorado assim como a cólica e a rinite. Sorrio até chegar em casa e devo confessar que ainda estou sorrindo.

Meu primeiro beijo me deixou tremula e extasiada. Meu primeiro emprego me fez ver um futuro até então inimaginável. Meu primeiro carro me deu liberdade. Meu primeiro conto me fez, felizmente, insana. Minha primeira peça, encenada por vozes inocentes e doces, me fez ver uma luz no fim de um túnel longo demais.
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28 de nov. de 2008

Sentença


O edifício de consultórios era muito parecido com os outros em que estivera no ultimo mês. Salas esterilizadas, recepcionistas de sorriso vazio, longa espera pelo mesmo resultado. Ele se prometera que era a ultima vez. Todos até agora concordavam que sua expectativa de vida era de no máximo um ano. O que mais o incomodava era a voz impessoal que tentava parecer empática, mas que se você fosse atento o suficiente, somente parecia robótica e repetitiva. A recepcionista deste consultório não parecia nada diferente, pediu para ele aguardar com a indiferença destas profissionais e voltou a ler a revista de fofoca enquanto mascava seu chiclete. Alguns rostos a sua volta eram parecidos ao seu, pálidos e sombrios, a espera do fim. Outros, apesar de claramente sofridos, tinham uma aparência pacifica e de quase contentamento. Foi chamado somente com dez minutos de atraso e entrou no consultório mais pessoal que já vira em sua vida. As paredes eram de um tom alegre de amarelo, não o amarelo ovo, mas como as dunas do deserto batidas pelo sol. A parede ao fundo ela tomada por uma enorme janela, a oposta onde a porta se encontra era coberta por fotos de pessoas com sorrisos plácidos, famílias felizes, pescarias e muitos cães, a da direita era uma imensa estante coberta de livros de cima abaixo e a maior parte deles era de ficção, a ultima era reservada aos diplomas e muitos troféus de golfe. Na mesa enorme à frente da janela o medico menos ortodoxo o esperava. Era oriental, não mais de 1,65 mt de altura, usava uma calça jeans muito desbotada e uma camisa daquelas que turistas compram no Hawai, com abacaxis e palmeiras, para terminar usava um tênis amarelo ovo. Seu sorriso era acolhedor e nada profissional. Contou três piadas antes mesmo de abrir os exames de seu paciente. Examinou tudo meticulosamente, mas não parou de falar em tom de botequim “Você pesca? Nunca? Deve ir, posso te indicar um ligar ótimo. Gosta de Golfe? Nunca aprendeu? Parece chato, mas é uma arte.” Por fim terminou com os exames e encarou o paciente com tranqüilidade. “Sei que o senhor busca uma outra resposta, mas infelizmente eu tenho somente a mesma que já ouviu. Quanto tempo lhe deram?” O paciente disse que um ano e a isso o medico estalou a língua e deu uma risada divertida. “Há! Um ano! Quanta coisa se pode fazer em um ano... Mas um ano é uma estimativa tão boa quanto cinco ou dez. Já vi gente desenganada ignorar que lhe diziam que deviam morrer em 6 meses e teimaram em viver vários anos felizes. Eu lhe indico o mesmo tratamento que os outros, mas incluiria também acupuntura, varias estadas em spas, drenagem linfática deixa a gente todo lisinho, e se possível um passeio pela Europa na primavera. Já esteve na Europa na primavera? Morrer é o custo para estar vivo, meu caro, o segredo é como passamos o tempo que nos resta.” A consulta durou mais de uma hora. O paciente ouviu cada vez com mais prazer as piadas entre as sugestões de tratamento e quando saiu viu no reflexo da porta um rosto tranqüilo e quase contente. Durante dez anos ele voltou àquele consultório. Muitos meses eram bons, outros ruins, alguns péssimos, mas ele nunca esquecia o que o seu querido médico sempre lhe dizia: Viver, às vezes, é somente uma questão de vontade.
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27 de nov. de 2008

Linhas

Hoje ele estava incrivelmente feliz. A noticia na TV que lhe dava o status de doente lhe abria portas que nunca imaginara ver destrancadas. Dizem agora que 20% da população brasileira é esquizofrênica. São egoístas, imorais e homicidas. Chamam de doença o que ele sabe ser somente um completo desrespeito pelas leis e pelo próximo. Desde o dia que nasceu nunca houve ninguém para lhe dizer que havia uma linha que nunca deveria ser ultrapassada. Seus pais, extremamente pobres, nunca disseram não, não sabiam quando dize-lo na verdade. Houve muitas ocasiões onde seu pai tentou apelar para a força bruta na tentativa de vê-lo se endireitar, quando roubou a primeira vez, quando chegou em casa chapado de crack, quando surrou até quase até a morte um garoto inocente mas homossexual, quando trocou por drogas os poucos bens da família, mas não havia nada mais alem das surras e a revolta que elas lhe provocavam. Não havia a sua volta um exemplo a seguir, somente podridão e ele gostava disso. Chafurdava na lama se sentindo poderoso por incutir o medo em quem cruzasse seu caminho. Não era assim por ser pobre, pois na verdade nunca lhe faltara nada, tomava o que queria. Não era assim por falta de amor, pois foi amado até onde foi possível. Não era assim por ter sofrido, pois em sua curta vida só fizera sofrer aos outros. Era assim porque o mundo já não ensina nada aos jovens. Desde que nascem são livres para acreditar que o mundo lhes pertence sem terem que dar nada em troca. E hoje ele, alem de não ter que pagar por nada do que tomava do mundo, ainda tinha uma desculpa para ser como era. Esquizofrênico, era isso o que diria se fosse pego. Levantou a arma e apontou para o gerente da lanchonete que tremia. O homem chorava e ele ria. Ambos sabiam que ele apertaria o gatilho conseguindo o que queria ou não. O riso era de vitória, mas ele também nunca aprendeu que existem pessoas que não temem e que saem de seu caminho para ajudar inocentes que ainda se lembram que linhas não devem ser cruzadas. Sentiu uma dor aguda e antes que pudesse matar o velho filho da puta à sua frente, viu o revolver cair de sua mão que já não o obedecia. De suas costas saiu uma senhora de meia idade, com uma bengala ensangüentada nas mãos. O rosto enrugado estava duro e chocado. Ele morreu alguns minutos depois. Tinha 13 anos. Ela nunca se arrependeu. Já fora assaltada 4 vezes, espancada uma vez e levara um tiro na perna no ultimo assalto que a fazia arrastar a perna de maneira dolorosa. Não, ela não se arrependeu, mas sofreu o resto da vida por tirar uma vida. Era ainda das que haviam aprendido a respeitar as linhas.
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26 de nov. de 2008

Boas intenções

Ele era um homem bondoso, sempre pronto a ajudar o próximo, mais do que feliz em dar sua opinião para o aprimoramento da alma alheia. Sempre se preocupava com os conhecidos desempregados e procurava coloca-los em boas posições, era o acaso que fazia que estes empregos fossem sempre inferiores à capacidade da pessoa, mas como ele fazia questão de frisar, era preciso abaixar a cabeça, ter humildade e agradecer a Deus pelo que era colocado à sua frente. Gostava também de apontar aos amigos os erros cometidos em suas famílias, como os filhos eram mal educados, as esposas confiantes e profissionalmente independentes demais e como isso os fazia menos homens. Nunca se esquivava de seu dever de denunciar às autoridades o que sabia errado, fosse o riso dos jovens na rua (para que rir deste jeito, só podiam estar drogados), os automóveis mal estacionados, uma pessoa a seu ver suspeita andando pela sua rua. Os policiais de seu bairro conheciam seu nome. Sim, e como conheciam. Fazia questão também de ajudar os necessitados, os procurava pelo bairro, tentando se aquecer debaixo de seus cobertores de papel, e fazia sermões longos sobre a necessidade de se tornarem produtivos e depois lhes presenteava com orações que escrevia em letra pequena em pedaços de papeis rasgados de sacos de pão. Era um homem muito bondoso e preocupado com o próximo. Como todos nós o faremos, um dia bateu as botas e seu primeiro pensamento consciente no pós-vida foi que o paraíso o esperava. Com um sorriso seguiu em direção à luz que tanto falavam. O imenso corredor trazia pôsteres de ambos os lados com fotos de sua vida. Cenas que relembrava muito bem e das quais se orgulhava. O rosto triste dos amigos por ele lhes abrir os olhos quando à sua insignificância, o desespero de um mendigo ao ver uma oração em vez de um pão, o rosto cansado de sua mulher que fora humilde a vida toda e o servira tão bem. Logo o chão também estava coberto com estes momentos que eram o orgulho de sua existência e quando pensava que explodiria de felicidade com este reconhecimento dos céus, um alçapão se abriu e o engoliu para sempre. O corredor, numa explosão de luz, perdeu sua decoração e ficou branco e esterilizado esperando o próximo da lista. No ar, por um breve momento, pode-se sentir o cheiro nauseante do enxofre.
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25 de nov. de 2008

Ao fim... o que realmente importa?

Ela tinha medo sempre. Não medo do escuro ou dos raios da tempestade, mas um medo irracional de ver a vida passar sem ter feito algo digno de nota. Esse medo a fazia pesar cada passo, atrasando seus dias em busca do sucesso em cada gesto. Tentava ser perfeita sem perceber que sua busca somente a tornava lenta. Vigiava cada minuto que passava em busca daquele que transformaria sua vida. Nessa vigília incessante perdia chances de se transformar, de se reinventar, de descobrir um caminho realmente glorioso para sua vida. A longa espera a fez uma figura patética, sempre a sombra imóvel por trás daqueles que não se deixam prender por anseios, mas sim são levados por eles a correr em busca de aventuras e sucesso. O melhor que se pode dizer dela é que nunca parou de procurar por aquele momento, aquele gesto perfeito que faria tudo valer a pena. Conheço muitas pessoas que procuram sempre fazer a coisa certa. Nunca se atrevem a confrontar ninguém. Sempre mudam de opinião para ficar com a maioria. Esperam sempre pelo momento mágico em que serão elevados como por encanto. A vida para eles é longa, tranqüila. Não existem baixos e nem altos. Nem exultação e nem desespero.

Quando se olha para trás é importante ver montes, planícies, montanhas e não somente um deserto árido onde se respira somente sonhos nunca alcançados. É importante olhar para trás e lembrar do desespero, do amor, da tristeza, da paixão, do carinho. É importante olhar para trás e sentir que em sua vida houve de tudo um pouco e que cada lagrima foi contrabalançada por um sorriso.

24 de nov. de 2008

Lembrete a mim mesma

Junte uma palavra à outra com cuidado. Dê-lhes um bom motivo para que dancem juntas antes mesmo de tocar a melodia. Faça com que tenham paixão mesmo que o papel seja somente branco. Aqueça os sentimentos que as carregam para que deixem aqueles que as lerão trêmulos e sedentos por mais. Amacie as palavras duras, faça mais acidas as juras de amor, exponha os medos como se fossem ervas daninhas crescendo ao sol e esconda os dons para os olhos mais treinados. Deixe mensagens para serem decifradas somente por aqueles que conhecem a mão que escreve. Ponha tudo de si em cada historia, mas seja completamente impessoal com seus personagens. Revele-se sem medo com a certeza de que nunca ninguém saberá onde termina seu eu mais intimo e começa a ficção. Explore todos os sentimentos, aqueles que conhece e muito mais aqueles que pode adivinhar no rosto dos que o cercam todos os dias, dos que contam suas desgraças na tela da TV e daqueles que sentam, mudos e anônimos, em bancos de praça e sarjetas pela cidade. Junte uma palavra à outra sempre que for possível, ou melhor, o faça todos os dias mesmo que seus membros estejam doloridos e sua cabeça pareça cheia somente da idiotice e mesmice de seu dia a dia. Faça. Escreva sem medo. É somente quando escreve que se sente plena e feliz, quando sabe que todos os fios da teia estão bem presos em suas mãos. Abra uma nova pagina. Assim.... Boa menina...
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15 de nov. de 2008

A Névoa


Do horizonte o manto branco vem cobrindo a cidade. Ninguém sabe o que pode ser, ninguém quer pensar nas possibilidades. Do alto dos edifícios as pessoas comentam como caminha lento e determinado, esse manto que agora parece dourado ao pôr do sol. Alguns sugerem um novo fenômeno, resultado do aquecimento global, da poluição, dos buracos na camada de ozônio. As pessoas esperam. É como se soubessem que tudo mudará depois que ele passar. Eu olho da minha janela e vejo a massa, que mais parece algodão doce, se aproximar, ela engole o chão e o céu, mas não apaga o sol. Não é uma névoa comum. Eu sinto. Não sei como será quando a noite cair. As pessoas já começaram a se desesperar a algumas horas. Do alto as vejo correndo como formigas no fim do verão, tentando achar um caminho para fugir do que quer que esteja vindo.

Era ainda cedo quando a internet saiu do ar e logo os celulares e os telefones fixos já não funcionavam também. As TVs ainda transmitiram até depois do almoço, aproveitando cada segundo que lhes restou para espalhar um terror que naquele momento nem se podia imaginar. Pela primeira vez em décadas eles estavam certos. Nesse ponto os escritórios já estavam vazios e as ruas cheias. A cidade parou. As pessoas tão acostumadas a depender de seus carros, relutavam em abandoná-los e eram alcançadas pela névoa. Fiquei na minha janela vendo o manto branco se estender. Vi pessoas correrem para ele como se fosse o caminho da liberdade, mas não vi ninguém sair de lá.

Já não vejo nenhum raio de sol, ele finalmente se pôs, talvez cansado dos gritos que tomaram o lugar das buzinas e do ruído dos motores. Não quero sair de casa para me desesperar na companhia de estranhos. Se não posso dizer adeus aos que amo, prefiro ficar e rezar para que estejam tão calmos como eu. Sim, porque é possível se desesperar em uma calma absoluta. Dou as costas à janela e olho para minha casa como se fosse pela primeira/ultima vez. Em minha cabeça lembro pedaços de “The Mist” do meu amado Stephen King e tantos outros contos e filmes que falam de horrores desconhecidos. Minha janela já se embaça com a proximidade da neblina que é muito mais densa do que imaginava. Deito em minha cama e espero. Fecho os olhos e sinto o ar gelando a minha volta e sei que a névoa me abraça. De certo modo é reconfortante.


Acordo e é dia. Meu corpo ainda está gelado apesar da manta e edredom que me cobrem. Pela janela vejo um céu azul como há muito tempo não podia nem sonhar ver em minha cidade. A parede de névoa ainda está lá, mas se afastando lentamente. Não fico colada às janelas, nem mesmo escovo os dentes ou alivio minha bexiga dolorida, corro escada abaixo para saber para que mundo acordei.

Somos poucos. Tão poucos. Andamos nos olhando entre desolados e maravilhados. Não podemos perceber nada em comum entre nós alem do fato de estarmos vivos. Somos brancos, negros, amarelos, jovens, velhos e crianças. Temos todas as idades, cores e tamanhos. O ar cheira a terra num mundo de concreto, existem flores brotando por entre o asfalto e dizem que os rios correm limpos e cheio de peixes. Para onde foram todos que não somos nós?

Faz um mês que a névoa limpou o mundo. E ele agora é lindo novamente.
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8 de nov. de 2008

Godbye Nani


Nana,

O que sobra de mim chora. Parece sempre que já não restam lagrimas, mas me surpreendo em senti-las correr livres pelo meu rosto cansado. É como se eu fosse menos eu mesma sem você e os outros que antes se foram pelo mesmo caminho recheado de salsichas. Não sinto meus braços e nem pernas, é como se eu fosse um tronco dolorido com dedos fantasmas que digitam meu adeus.
Eu sei que está cercada de seus amigos agora e que recuperou suas pernas e seu coraçãozinho já não pula incerto quando se anima. Sei que deve estar correndo entre eles feliz, mas, filha, eu morri mais um pouco hoje.
Um coração aos pedaços ainda é um coração? A tristeza infinita tem um fim? Quanto agüenta ainda bater um coração que não tem motivos para se surpreender?
Nana, mamãe te ama para sempre. O pouco que me resta nunca vai esquecer e não terá medo de recordar. Fui uma melhor humana em sua companhia, aprendi a amar melhor, a me resignar com menos revolta, a viver momentos simples com alegria extrema.
Desculpe se não pude conter suas dores e curar seus tumores, Deus me deu fé, mas infelizmente não colocou em minhas mãos a mágica que te faria perfeita novamente, me deu apenas um coração forte o suficiente para estar ao teu lado até o ultimo segundo.
Espero que no seu céu canino sua cama seja macia, o ar sempre fresco, a chuva caia refrescante e que existam flores que exalem meu cheiro para que não me esqueça.
Fica com Deus.
Eu, por aqui, fico somente mais triste.
Te amo.
Sua humana.
Mamãe
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1 de nov. de 2008

Pessoas que ultrapassam a faixa amarela me irritam.


Não é somente uma sugestão, nem mesmo é um pedido. É uma ordem. NÃO ultrapasse a faixa amarela. Mas não é o bastante. As pessoas parecem gostar de se colocar em perigo somente para dar trabalho aos outros, como aqueles idiotas que se arriscam nas geleiras e acabam virando picolé para todos depois dizerem que foi uma tragédia. Não. Na verdade foi uma completa IDIOTICE! As pessoas gostam de ultrapassar a faixa amarela principalmente quando existe uma platéia para vê-los dar o idiótico passo. Vocês podem até pensar que falo de jovens, cujos hormônios fazem idiotices sem nem mesmo a conivência do dito jovem, mas existem irresponsáveis de todas idades. Ontem mesmo, no metrô, um senhor de seus 60 anos, porte militar, cabelo escovinha ultrapassava, com um olhar arrogante, a faixa amarela que separa a todos do perigo. Ficou tão na ponta da plataforma que eu imaginei sua barriga sendo arrancada pelo trem que se aproximava. Pena, não foi desta vez. Mas o impacto da velocidade e do vento o jogou para trás uns 4 passos e lá ele ficou completamente revoltado por essa afronta. Reclamou em voz alta como se algum funcionário invisível do metrô o houvesse empurrado à força alem da linha de segurança.
Pessoas que ultrapassam a linha amarela me irritam, profundamente, porque em 99,99% das vezes não estão preparadas para enfrentar as conseqüências de sua idiotice.
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19 de out. de 2008

Regras da Sedução

Ela ficou esperando pelo príncipe encantado durante toda a noite. O moreno alto e razoavelmente bonito, mas usando óculos, não tirava seus olhos dela, mas não era o tipo de homem que iria impressionar suas amigas. Repeliu todas tentativas que ele fez de se aproximar, recusou o drink, lhe deu as costas quando a cumprimentou, fingiu não o ver quando dançou a sua frente. A noite já se aproximava do fim e ele ainda a encarava, com olhos grandes e negros que pareciam espetá-la como um alfinete mal colocado. O homem com quem ela sonhava apareceu e lhe deu o mesmo tratamento que ela dispensara ao seu Romeu. Ela tentou de tudo. Exagerou na dança sexy arrancando riso dos que assistiam, tentou lhe pagar uma bebida que nem foi dispensada, mas devidamente ignorada. Apelou para a agressão e derramou bebida em sua calça, limpando pornograficamente com um guardanapo o colo molhado. Ele nem agradeceu, somente a chamou de desastrada e saiu carregando consigo uma menina sem graça que havia ficado a noite toda completamente na sua. Suas amigas riram dela sem dó fazendo com que finalmente se sentisse humilhada. Olhou para o moreno quase belo e viu em seu rosto uma expressão que, anuviada pelos vapores da bebida que ingerira e na ânsia de não terminar a noite sozinha, não reconheceu. Caminhou até ele tentando ser sexy, mal sabia que somente parecia desesperada, e finalmente lhe disse que aceitava uma bebida. Ele não lhe disse uma palavra. Pediu a bebida e como um perfeito cavalheiro a ofereceu com aquela mesma expressão no rosto que começou a deixá-la inquieta, mas ele não lhe deu tempo para pensar, disse boa noite e foi embora com passos largos e firmes. Tivera a noite toda para reparar nas pernas longas, no peito largo, nos olhos negros por trás das lentes, mas não virá nada. Agora era tarde demais, mas não para reconhecer a expressão com que se despedira. Era uma expressão mista de pena com embaraço e foi com essa ultima lembrança que ela teve que dormir.
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14 de out. de 2008

Ausência

Ele é alto, magro e extremamente gentil. Tem toda calma do mundo para ouvir a historia de minhas dores e os lamentos pelo meu corpo preguiçoso. Ele sorri com freqüência, acena com a cabeça interessado. Sem energia, cansaço vindo da tensão, períodos de preocupação prolongados. Ele entende e pode ajudar. Acupuntura liga botões que se desligaram quando sobrecarregados e desligam outros que não deveriam ficar ligados por tanto tempo. Ele me explica que é possível reprogramar meu corpo para que a carga diária pese menos em meus ombros, é possível reorganizar esta maquina. Perfeito! Deito com nervos retesados de segunda-feira e penso que ele terá trabalho para me manter nessa posição por uma hora. Impossível! Algumas agulhas depois e já brinco com as correntes da persiana acima da minha cabeça e rio sem freio de suas piadas que ficam mais engraçadas ainda pelo jeito doce de seu sotaque chinês. Ele me deixa só na penumbra e olho com curiosidade para todas as agulhas que parecem flutuar sobre meu corpo. Carpenters toca sem parar ao fundo, sempre as mesmas musicas, se repetindo como um eco do passado. E meus olhos se fecham. Sinto que ele retorna muitas vezes. Gira as agulhas como se fossem brinquedo e algumas queimam e ardem sob suas mãos. É normal, ele diz. Acordo muito tempo depois. Ele me pergunta como me sinto e não sinto nada. Todo meu cansaço se foi, a tensão que corria até a ponta de meus dedos, a energia negativa que varre o trabalho todo dia, tudo desapareceu. Tudo. Não sinto medo do amanhã, nem o desejo de vê-lo chegar. Não sinto carinho pelo rosto sorridente que me olha e nem esperança. Não anseio pela minha casa e nem pela minha família. Sou uma casca vazia que somente pensa friamente no que é possível se fazer quando todos os botões estão desligados. Não existe pudor ou moral ou medo de conseqüências. Somente a liberdade de não se ter nenhum sentimento. Agradeço efusivamente, pois sei que é importante fingir que todos os sentimentos ainda estão no lugar, e saio para a rua respirando um ar mais puro, pois não existem expectativas. Da minha natureza amorosa nada resta, meu novo eu pode cometer o ato mais odioso sem piscar. Eu agora posso até mesmo matar sabendo que não derramarei nem uma lagrima. Nem uma lagrima.

(Somente a metade é verdade. Eu acho...)
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13 de out. de 2008

Não tema, trema...


Eu não quero esquecer o trema. Não interessa que não o uso com a freqüência (com trema) que deveria. O fato é que o trema é um dos únicos acentos que acho delicioso (por ser tão maravilhosamente inútil), parece uma cobertura de bolo bem mais saborosa que o recheio. Essa mudança nas regras da escrita já me dá nos nervos antes mesmo de entrar na moda. Eu que sempre fui péssima em português agora também vou ficar desatualizada, pois as únicas regras que consigo guardar já não valerão para nada. Estão tirando os únicos assentos que sei aonde vão e vão tornar coco e coco a mesma coisa e nunca vou saber do que é a merda do frappé (com acento). Melhor pedir sempre de chocolate ou morango. Acho que odeio mudanças (não as feitas por caminhões). Lembro quando um diretor veio todo animado dizer que iam trocar meu computador e que o novo que teria um mouse. “Mouse?!” Grito eu indignada, “não quero mouse, sei exatamente o que fazer SEM o mouse, tirem esse treco daqui e não me incomodem mais!” O mouse venceu ao final e hoje me pergunto o que seria de mim sem ele. Não estou comparando o trema ao mouse, mas me ressinto de me separar de amigos que há tão pouco tempo aprendi a respeitar. Sempre fui mais de números que de letras (samurai do Excel) e ainda me surpreendo quando dizem que eu escrevo bem, afinal não consegui aprender no colégio nem uma regra básica dessa língua infernal (pra que eu tenho que saber o que é pretérito imperfeito se já é passado?). Dou graças a Deus pelo corretor de textos e pelo mano Urso que me ensina (com cara de Santo Urso/pecador pagando pecado) enquanto corrige meus textos cheios de erros prosaicos. Depois de velha preciso somente escutar uma vez, ou no máximo duas, para guardar para sempre certas esquisitices que tornam a prosa inteligível. Enfim.... Nem sei porque estou tão irritada com o novo código, talvez porque somente agora consiga entender algo do velho? Enfim 2 a missão... vou esperar mano Urso me contar o que devo ou não fazer de agora em diante, mas tenho certeza que nunca deixarei de usar o trema, mesmo que ele somente venha à vida quando sugerido pelo corretor de texto.
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10 de out. de 2008

Caixinha de enxaqueca


Vivemos numa era de extremismos onde todos pregam o comedimento. Parece-me sempre que estou assistindo a um filme japonês com péssima dublagem onde as bocas falam muito mais do que o som que delas parece sair. Ouço as idéias mais idiotas ofertadas como prêmios Nobel e fico pensando se houve qualquer outra era em nossa historia onde tantos ignorantes dominaram o mundo. Não falo somente de nossos políticos, que ao redor do globo parecem competir pelo premio de maior charlatão do mundo, mas também das ditas celebridades, atores, cantores, escritores, diretores, e outros ores que ditam as tendências para o mundo. E que tendências.... Somos tratados como tolos, e a maioria da população o é, mas não existem mais aqueles poucos nichos criados especialmente para aqueles que gostam de usar a caixinha cinzenta que está presa dentro da cabeça e que em muitos serve somente para medir o tamanho da dor de cabeça. Tudo nos é apresentando como se fossemos lerdos demais e a maioria se torna lerda, esperando que digam o que deve ser feito, como e quando. Do meio dos pobres seres que somente usam a cabeça para as enxaquecas e daqueles que tentam nadar contra a corrente emburrecedora tentando aumentar a cada dia sua capacidade cerebral, surgem estes cartoons cujas bocas pronunciam em japonês o que as vozes dizem em norueguês. Ninguém entende, mas é melhor segui-los. Ou não? Não sei o que leva o mundo a andar para o lado que anda, não entendo e talvez nem queira. Acho que prefiro criar na tela branca do meu laptop o que gostaria de ver quando ando pela rua. Gente pensante desapegada de modismos, que questiona o que vê e ouve e que sorri com mais sinceridade, pois sabe de onde vem a graça. Gente com senso de humor e maior ainda senso de justiça. Gente honesta e cheia de brios que não tem medo de expor suas idéias mesmo quando elas vão contra a maré. Gente que eu gostaria de conhecer.
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