16 de mai de 2009

Passion


Paixão não é amor. Paixão é algo que exige ser saciado, como uma fera na hora do lanche da tarde. Não existe bom senso na paixão, nem limites. No amor se aprende com a convivência, se respeita e admira e o sentimento cresce e evolui podendo durar por uma eternidade. Ou não. Mas a paixão não espera. Não há paciência, somente o desejo desesperado de por fim aquela coceira que parece nunca estar no lugar certo quando se coça. O mal da paixão em nossos dias é que se transforma facilmente em obsessão. Todos querem a rendição imediata do objeto de seu desejo, é como se esquecessem que sentimentos podem não ser retribuídos, que a luxuria pode não ser correspondida. Confundir paixão com amor é o mesmo que achar que pipoca é uma refeição completa e não algo para simplesmente divertir o paladar. É triste ver como as pessoas não sabem mais explorar os benefícios de uma paixão. Com o amor o comprometimento altera vidas, muda rotinas, borra personalidades, mas a paixão pode ser vivida até ser consumida às cinzas sem que nada mude. Uma fogueira imensa e potente que quando se extingue deixa em seu rastro lembranças abrasadoras e a sensação de se estar amplamente saciado. E aqui se deve escrever “Fim”. Nada mais.
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Um comentário:

maria guimarães sampaio disse...

Você disse (escreveu) bem sobre paixão.
Uma amiga diz: "quando a gente está apaixonada faz tudo errado pensado que está fazendo certo".