27 de jun de 2009

Anônimo


Todo dias, às 7:30 ele se sentava à mesma mesa, ajeitava os talheres, rearranjava os condimentos e pedia uma xícara grande de café puro. Suas costas estavam sempre paralelas ao encosto, mas não se recostava. Bebia seu café sem desviar os olhos da mesa à sua frente. Não os matinha baixos, simplesmente olhava sempre para o mesmo ponto um pouco acima de sua xícara, aquele ponto onde alguém havia desenhado um smiley de sorriso triste. Não dava bom dia e nem até logo, mas sempre deixava uma gorjeta generosa. Andava sempre apressado mesmo quando não tinha pressa e olhava a todo tempo para o relógio mesmo não estando atrasado. Todo dia ele entra pela mesma porta às 7:30 e nunca ninguém soube seu nome, se tinha família, se era feliz e nem mesmo se apreciava o café ou se era somente um habito como tantos que temos. Para onde ia dali ninguém nunca se interessou em saber, sumia entre o mar de ternos que cobrem as avenidas pela manhã. Era mais um entre tantos anônimos que percorrem as ruas como sombras e somente ganham identidade ao se sentar em frente aos seus postos de trabalho ou ao adentrar seus lares. A cidade nos engole a todos, esta maravilhosa e selvagem selva de pedra que aceita os insultos dos ressentidos assim como o amor dos agradecidos pela sua acolhida. Somos um produto deste século insano onde a cada dia mais, nos importamos menos. Somos todos anônimos mesmo não nos dando conta disto.
.

Um comentário:

maria guimarães sampaio disse...

O texto? bom como todo dia!
A cara nova do blog está linda.