22 de jun de 2009

Silencio

Eu sinto falta do silencio. Sinto falta daquele zunido nos ouvidos conseqüência do silencio absoluto. Minha vida é o caos da metrópole. O telefone que toca, a TV ligada muitas vezes até quando durmo, o MP3 sempre plugado para não ouvir o motor dos carros e o grito zangado das buzinas, é o alarme do celular às seis e meia da manhã, a campainha no domingo às nove, o zunir da impressora ao longo do dia. Às vezes o que quero é somente o silencio. O doce silencio onde a brisa faz musica e as folhas flutuam até o chão na melodia. Não é fácil de se conseguir, não nesta cidade, não cercada por casas e edifícios onde cães latem, pais gritam, filhos respondem e TVs transmitem todo o lixo do mundo. Tenho guardado comigo momentos onde, sentada no beiral de uma janela olhando a noite, via somente estrelas em vez de arranha-céus. O zunido do silencio está ali, junto com o coaxar dos sapos, do uivo de um cão do mato, do canto da cigarra , da água batendo na pedra e escorrendo pelo riacho, não muito longe dali. Eu sei que estes momentos pertencem ao passado, mas não existe uma noite insone em que eu não sonhe com eles. Me pergunto aonde minha vida me leva e se em meu caminho ainda encontrarei o silencio que tanto busco.
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3 comentários:

maria guimarães sampaio disse...

Já virou pleonasmo eu dizer que gosto de seus textos. Em agradecimento pelo de hoje vai um meu (d'antanho...):
"ódio ao som dominical (e olhe que nem falei nas missas!)
Eu odeio o som do domingo. Desde sempre. Pequena, menina: silêncio. Meu pai descansa da luta, labuta da fábrica. Ao longe, rádio futebol.
Aos cinquenta, não escapo: Faustão e Silvio Santos saem de todas as TVs. Aos berros. Pior, muito pior.
Rádios poucos, quintais - jardins - terrenos baldios não desunem vizinhos, distanciam som. Um apartamento grudado no outro. Prédios agarrados. Meias-paredes. Vizinhos não se conhecem. O som entranha no juízo. Quero agora o silêncio dos domingos de meu pai.
(5 de outubro de 1997)"

Edu O. disse...

Eu tenho procurado o silêncio dentro de mim, mas tenho me gritado bastante.

Eu... disse...

deve ser por isso que gosto tanto da noite. Encontro o silencio, paz, refúgio e muita inspiração para minhas criações e textos.