7 de fev de 2007

Companheiro na Pelota Idiota


Ele fica ali parado. Às vezes grita seu bordão antigo “BEM-TE-VI, BEM-TE-VI” grita tão alto que me leva à janela. São 7:15 de um final de dia ardente. O asfalto parece soltar um bafo vindo do inferno e qualquer lugar sem ar-condicionado ou ventilador é simplesmente inabitável. Já estou em meu quarto. Computador ligado, ventilador a toda, TV na reprise de CSI, cães satisfeitos e deitados aos pés. É o final de mais um dia, mais um e nada a declarar. Espero sempre reencontrar a graça da vida nesse meu santuário, mas é sempre difícil deixar o mundo para trás. Essa pelota gigante, o mundo, parece a cada dia mais idiota e é sempre difícil manter o bom humor e a esperança de que um dia a estupidez seja erradicada do mundo. Sempre penso numa bomba de bom senso que explodira na estratosfera e deixara o mundo bem mais vazio. Mas então ele me chama novamente e eu esqueço da pelota idiota, da bomba de bom senso e do calor infernal. A chuva cai mansa e ele reclama. Me dá as costas como se não se importasse, mas vira sua cabeça perfeita para ver se me cativou. A chuva aperta e ele voa, mas logo volta, como para me dizer “Hei, não posso conversar agora, mas nos vemos amanhã.” Grita boa noite, tão alto que os cães levantam as orelhas, e abre às asas rumo ao seu abrigo noturno. O mundo parece menos idiota depois que ele se vai.

2 comentários:

adelaide amorim disse...

Oi, Déa! Abrimos blogs gêmeos! Seus textos estão muito gostosos de ler, viu?
Voltei das férias com vontade de deletar o umbigo, mas fiquei sem coragem na hora h e abri outro (= ao teu) só de poemas. Gosto do visual mais clean. Beijão.

TOM disse...

Ah... Andréa... Esse mundo é mesmo muito idiota! Mas, as coisas boas nos prendem tanto. Sempre algo ou alguém nos faz experimentar sensações supremas, magníficas que importam muito mais do que qualquer idiotice desse mundo efêmero. Porque somos teimosos, somos meio limitadinhos, insistimos e insistimos sempre. A busca por mais das poucas sensações supremamente positivas nunca pára. Há sentimentos, como a amizade, que valem a pena, viu... Sentimentos tão intensos... Abração, Lindona!!!