21 de jul de 2011

E nem adianta chorar pelo leite derramado.

Minha avó tinha um ditado para tudo. Eu ainda rio de alguns deles, mas os levo a sério porque minha boa velhinha era possuidora de uma sabedoria antiga, bela e humilde.

E é assim que eu sei que do mundo nada se leva, o que é uma absoluta verdade. Podemos ser diferentes ao nascer, vindo uns mais confortavelmente que outros, mas ao morrermos deixamos para trás absolutamente tudo. Assim o que vale é o que deixamos, o que nos tornará memoráveis. Na hora da conta final o que vale é o amor que inspiramos, a reputação que construímos e as boas ações que fazem nosso nome conhecido para desconhecidos.

E é antes tarde do que nunca uma verdade que também não contesto. Aprendi isso cedo, esperando meu pai sempre atrasado, mas depois dele muitos me fizeram lembrar deste ditado. Tento nem contar o tempo que já esperei por namorados, promoções, aumentos ou simples noticias e sempre que finalmente chegam eu me digo “antes tarde do que nunca” e sorrio para minha vó Joana que com isso tentou me ensinar paciência, sem muito sucesso.

Mas se tem um ditado que não me pega de calças curtas é o que diz que as aparências enganam. Deste faço uso somente como aviso aos outros, já que nunca fui de levar a aparência de um fulano ou fulana como indicação de seu caráter. Já vi muita maldade e falsidade em pacotes bem atraentes e convincentes, mas graças ao gene de bruxa na família de Vó Joana eu sempre vejo um pouco além. Porque que as aparências enganam, ah sim, elas enganam.

E com meu amor pelos eqüinos devo dizer que ao cavalo dado não se olha aos dentes. E isso é uma coisa que pouca gente da nova geração aprendeu. Gratidão. Eu tenho pouca paciência com as pessoas que recebem favores já com reclamações no bolso. Agradeça e cale a boca!

Eu prefiro andar só que mal acompanhada e desta perola eu uso e abuso. Infelizmente parece que as pessoas hoje em dia não gostam da própria companhia e em vez de se valer de tão sábio ditado parecem procurar por encrenca em má companhia.

Vou fechar com um que vó Joana dizia com freqüência quando ouvia fofocas sobre terceiros. Cada um sabe onde lhe aperta o sapato. Oh! Pura verdade. Nem sempre podemos adivinhar o que leva as pessoas a ações desesperadas ou insensatas. Algumas vezes o sapato aperta demais e o único jeito e jogá-lo na cabeça de alguém.

Quando lembro de seus ditados e de seu olhar doce que entendia tão bem o mundo eu penso que em toda sua ingenuidade, pois ingênua ela era, entendia mais dos corações das pessoas que uma cínica como eu. E como ela diria, com seus olhos da cor do céu de verão, jacaré que fica parado vira bolsa.
Até amanhã.

2 comentários:

Monstrinha disse...

Que delicia de texto! Me identifiquei integralmente com cada palavra!
Adorei sua traducao contemporanea para osditados da vovo. Eu ja conheco e aco muito uso de todos eles tambem! Infelizmente a nova geracao passa mais tempo jogando viedo game do que conversando e aprendendo de quem ja viveu (e asobreviveu!) tantos anos!

Sua avo era uma sabia e vc e uma escritora muito talentosa!

Mirza disse...

Como é bom saber que existiram avós que fizeram a diferença, deixaram a sua marca e eternizaram sua estadia por aqui, com amor, sabedoria e paciência.
Muita paciência, rsrsrsr.
Grandes Bjus