31 de ago de 2010

Love


Talvez a inabilidade de estar perfeitamente contente enquanto sozinho seja o grande mal dos nossos tempos. As pessoas parecem sempre em busca de algo, mas nunca sabem exatamente o que, imaginando que o tal Santo Graal esteja entre a multidão, no meio de uma pista de dança, no fundo do copo de bebida na mesa de um bar. Na verdade o Santo Graal de nossos tempos é o estar feliz sem causas externas. É o aceitar que o mundo é imperfeito, que as pessoas são mais imperfeitas ainda e que nada mudará enquanto não soubermos exatamente quem mora dentro de nós. Esperar por apoio, carinho e amor não é errado, mas viver dependendo dos sentimentos alheios o é. Não recebemos amor porque esperamos e nem mesmo porque merecemos. Amor é um acaso que podemos somente rezar que nos aconteça. Para os que tem sorte ele vem mais de uma vez, pois amores eternos acontecem somente nas paginas dos romances e na película dos filmes. Amamos de varias formas, com varias intensidades sem nunca saber se o que estamos vivendo durará o suficiente para saciar a nossa sede, mas amamos mesmo assim. Jovens somos paixão pura, precisando dividir nosso ar, nossa pele, nosso desejo com outra pessoas, seja quem for, aonde for, como for. Não selecionamos, somente sentimos e nos entregamos sabendo que o amanhã nos trará outros sabores para que possamos construir nosso banco de dados sensorial. Com a idade selecionamos conforme padrões impostos ou, se temos sorte de sabermos o que queremos, segundo os desejos de nosso coração. Passamos a vida procurando, de uma maneira ou de outra, seja para satisfazer a pele, o cérebro ou o coração. Caímos e levantamos para novos braços sem pensar que o que precisa ser entendido e amado está mais próximo do que pensamos.
Vejo e ouço todos os dias as historias daqueles que buscam e nunca os ouço dizer como passaram momentos calmos e relaxantes na própria companhia. Sorrio do alto dos meus quase 50 anos e tenho vontade de avisá-los que enquanto não gostarem da imagem refletida no espelho dificilmente encontrarão quem ame a pessoa alem da imagem.
Mas o erro é meu ao querer dar ao inocente o caminho fácil, é impossível chegar a se amar e aceitar a solidão tão necessária ao meu coração sem passar pela vida como passei. Sem o desejo que saciei, sem os amores que vivi, sem os romances inconseqüentes que bebi em doses extravagantes, sem as dores quase insuportáveis que moldaram minha alma, os erros que demorei a me perdoar, as aventuras que ainda respiro e a calma que se segue aos anos torturantes da juventude. É preciso viver para saber e é preciso saber para procurar.
Então aqui vai meu aviso para que saiba que o caminho é árduo, mas o túnel tem sim um fim. Não deixe de viver, mas viva procurando mais dentro de si do que à sua volta. O segredo não existe, está somente toldado por hormônios exigentes e corações rebeldes. O segredo é que você deve amar sua própria companhia para que os outros queiram partilhá-la.
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2 comentários:

Celso Ramos disse...

Olá Andrea.

A falta é constituinte do ser humano. Sem ela não "somos". Acho que é isso que dá graça a vida. Seu texto me remete diretamente a Lacan em seus estudos.
Perdoe a baixa frequancia!

Luis disse...

Olá Andreia.
Minha escritora preferida.
EUismo Disse que voltaria.
O conteudo do ultimo blog, foi perdido quando o exclui e o backup em meu computador também.
Porém, algum texto do ultimo blog, estará neste novo, agora sem pseudônimo.
www.palavrasdeumsujeito.blogspot.com