4 de out de 2010

Alex


A tristeza exige ser sentida, vivida, mastigada e ingerida até a última gota. Damos muitos nomes a ela, depressão, ressaca, mal humor, mas no fim é somente a maldita tristeza que veio nos prestar sua visita. Ela é como aquela tia velha, meio inconveniente, enrugada, mas que nos dá uma sensação de reconhecimento, sangue de nosso sangue, que mesmo contra a vontade nos deixa um vazio quando parte. Não há nada de errado em senti-la, ela existe para que saibamos o que é ser feliz, que muitas vezes é somente a ausência dessa tia que nos belisca as bochechas e solta gases no meio do jantar de família.

O que chamamos de depressão nada mais é que uma TPM do espírito, é quando nossa mente está “naqueles dias” e dramatiza tudo. Cada gesto parece exagerado, cada palavra um ataque pessoal e os minutos se arrastam em uma cena de novela mexicana eterna. Eu sei. Estive lá muitas vezes. Não vou minimizar a coisa e dizer para você simplesmente sair dessa porque não é assim que funciona. Não é a toa que essa TPM de espírito baixa como caboclo em centro espírita. Algo está errado, fora do lugar, incomodando. Nem sempre se descobre o que é, nem sempre é obvio, às vezes é somente insatisfação pelo rumo de nossa vida, outras porque olhamos fundo nos olhos das pessoas a nossa volta e não as reconhecemos, como se descobríssemos de repente que o que queremos não está ali. Às vezes é o inicio de uma nova era e essa TPM é na verdade um aviso para que se prepare para chacoalhar seu traseiro.

É fácil falar, sei eu que sempre falo demais, mas é tudo verdade. Nada é eterno, nem a tristeza do momento, nem a inocência do passado e muito menos a sabedoria do futuro que acaba sempre afogada em lembranças da infância quando ficamos velhos. Isso vai passar. Eu juro.

Escrevo isso como um beijo de mãe, aquele que se dá no joelho esfolado de uma criança. Não é um remédio, mas lembra como a dor parecia diminuir? Lembra como, sentado no colo materno, ouvia as palavras tão usadas, mas que consolavam e aliviavam sua dor? É isso. Esse é meu beijo, minha canção de ninar, meu sopro depois do mertiolate, meu eu te amo.

Estou aqui. Como sempre. Shhhhh, já vai passar, vou assoprar para não doer, vou cantar para você dormir. Shhhh.... Dorme nenê. Não há nada embaixo de sua cama. Estou aqui. E te amo.

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Um comentário:

lin disse...

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