20 de out de 2010

A Cidade


O que se costuma fazer ao sair do escritório é amaldiçoar o transito, os outros seres humanos em seus carros, os transeuntes, os semáforos com soluço e a cidade de São Paulo como um todo. É o costume e completamente compreensível já que a jornada de trabalho é terrível, os chefes completamente idiotas e o salário sempre insatisfatório, mas nem sempre. Nem sempre se vê a cidade com olhos cansados. Alguns dias, como hoje, sua mente vaga tranqüila, sem estresse com a longa linha de veículos à sua frente e enquanto todos encaram raivosos o circulo vermelho no semáforo você se descobre observando as pessoas passando apressadas, mais charmosas nesse dia de sol, mas de vento gelado. Repara na longa escadaria do Gazeta onde alunos do Objetivo sentam trocando informações sobre o nada ou simplesmente dividindo um cigarro. Você vê com inveja o balcão de um café completamente lotado e quase pode sentir o gosto do espresso descendo por sua garganta. Olha para cima e lá estão vasos e mais vasos de plantas transformando um dos poucos edifícios residenciais da Paulista em um jardim botânico. Ri do rapaz de bicicleta que quase atropela um carro por se distrair com uma bunda jeitosa seguida por um par de peitos avantajados. E sem perceber, aquelas centenas de carros que antes eram um obstáculo agora são sua desculpa para apreciar uma cidade que é bela novamente porque você finalmente parou para olhá-la. E lá estava eu, presa no Viaduto Paraiso, olho para a 23 de Maio e não vejo o de sempre, vejo sim duas serpentes correndo em direções opostas, uma vermelha e sedutora, outra branca e tímida. Correm se tocando de maneira insinuante, sabendo que seus caminhos são opostos, mas que por alguns quilômetros podem ver o propósito uma da outra. A cidade é bela hoje.
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3 comentários:

marilia disse...

Isso acontece comigo algumas vezes.
Outro dia cheguei abismada: duas horas no trânsito e eu toda sorridente, com aquela cara de quem chegou de um passeio...

Ah! Cheguei aqui novamente depois de longa pausa.
Seu blog era um dos meus link no extinto "devotadekelsen".


Abraço

marilia j.

Celso Ramos disse...

Olá Andréa!!!

A renovação de tudo depende de nosso olhar...ne m tudo está perdido. Cultive essa perspectiva, pois ela faz bem para saúde fisica e mental!!!
Abraços!!!
Ps. as letrinhas do comentário sairam!!

Celso Ramos disse...

Eu diria, ainda, que você baiontropifou sua realidade...invenções