2 de nov de 2007

Existe algo de impressionantemente belo na violência da natureza. Não consigo temê-la, nem mesmo recuar um passo à vista de sua ira. Ao contrario do homem, a natureza solta seus demônios de maneira graciosa e mesmo quando mata, danifica ou destrói, é passível de admiração. Vejo, da minha janela aberta, a tempestade apagar o mundo conhecido e toldar tudo com um manto liquido. Em poucos segundos o vento trás até mim a água pura e me molha da cabeça aos pés. Sinto-me purificada. Pode parecer estranho esta fascinação por uma violência incontrolável e imprevisível, mas sinto, a cada tempestade, como se algo maligno fosse retirado de minha alma e se desintegrasse no vento. É como se eu precisasse destes fenômenos para estripar o que há de potencialmente perigoso em mim. Sei que sou capaz de atos terríveis não fosse o freio da humanidade imposto por séculos e séculos à raça humana, mas sei que somente eles ainda me deixariam com sede de sangue. É preciso uma boa tempestade para que eu me contente com um doce e saboroso chocolate.

2 comentários:

Ricardo Mann disse...

Por coincidência, acabou de dar um pé d'água aqui. Com direito a relâmpagos e umas sonoras trovoadas. Mesmo com um enfoque diferente do seu, eu adoro ficar observando a fúria da Natureza. Desde que dentro do conforto do apartamento...

Tom disse...

Essa é MINHA TIA! AH que orgulho! rsrsr Sobrinha bobo, não?! ahauhaua