26 de nov de 2007


Borboletas no estomago. Eu as sinto, acho que todos nós, os escolhidos, assim nos sentimos nessa noite de domingo. É como um carnaval fora de época. Uma páscoa colorida e exótica. Um natal adiantado e extremamente cintilante.
Na verdade o dia ainda não terminou. A curta viagem de casa até meu destino é feita sob o pôr do sol, entre carros cheios de pessoas pensando em terminar seu fim de semana, mas para mim, e os outros que caminham comigo neste barco de velas estufadas pelo vento da insanidade sadia, é só o começo. Somos insanos, sim. Nosso trabalho é fazer com que outros, perfeitos desconhecidos, se sintam bem, se sintam em sintonia com a cor, a forma perfeita (e a imperfeita), o movimento, a nuance da luz. Com a arte.
Hoje todos nós, e nossas borboletas estomacais, estamos nas pontas dos pés, com todos sentidos alertas, vibrando como a lamina de uma espada de samurai. Hoje é um dia esperado e temido, Um erro, um esquecimento e tudo pode desmoronar como um castelo de cartas. Esperamos que cerca de 700 pessoas terminem o dia pensando em nós, pensando em nosso trabalho e no prazer, talvez efêmero, que lhes demos. Esperamos fazer brotar o riso e o sorriso doce frente às pequenas maravilhas que conseguimos reunir. Somo insanos em esperar tanto, mas o somos com prazer e para dar prazer.
Desde a porta de entrada minha boca se torce num sorriso. Tudo vai dar certo. Tudo DÁ certo. Meus músculos faciais doem, meus lábios já beijaram tantos rostos que meu batom é só uma lembrança, assim como são lembranças as preocupações, os ataques de pânico e o estresse tremendo das ultimas semanas.
Musica, cor, palavras de boas vindas e agradecimento, dança, movimento e beleza suspensos por cordas em um vão coalhado de luz, drinks luxuriantes e petiscos servidos como se fossem jóias, exposições de todos os tipos e para todos os gostos, pessoas em um vai e vem que lembra a maré.
A noite finalmente chega ao fim, mas não a euforia coletiva que nos toma por termos conseguido cumprir nossas metas. O momento é devidamente, e repetidamente, fotografado. Tenho certeza que nosso grito de guerra poderá ser imaginado por qualquer um que veja nossas bocas abertas e nossos olhos brilhantes impressos para sempre em papel fotográfico.
Morfeu me chama de entre os lençóis, sua voz doce me pede que esqueça, por enquanto, o sucesso da noite. Amanhã, que já é hoje, o relógio me avisa, será o dia de comemorar realmente o inicio do 5° Ciclo Multicultural.
Para cada um de vocês, insanos maravilhosos e incansáveis, responsáveis por não somente uma noite divina, mas uma semana inesquecível, meu carinhoso boa noite. Que os louros de suas glorias não espetem suas cabeças durante o repouso mais que merecido.
Beijocas de sua companheira de trabalho.
Andréa Claudia Migliacci

Um comentário:

Ricardo Mann disse...

Parabéns por trabalhar com arte e permitir que ela se democratize nesse país com tanta banalidade sendo apresentada na mídia.