12 de out de 2007

Pela porta entreaberta somente uma réstia de luz entrava. Mas não. Algo mais se insinuava por entre as sombras como brisa. O som da melodia a despertou de um sono monótono onde por cobertas tinha suas preocupações e sonhos despedaçados. Não se levantou e nem mesmo abriu os olhos. Deixou que a musica entrasse por seus poros e inundasse seus sentidos. O piano e o violino duelavam com maestria num combate sem sangue nem dor e ela deixou as lagrimas fluírem, deixou que soluços cortassem sua garganta num pranto sem motivo, a não ser o de que sua vida era por vezes dolorosa, por vezes absurdamente cheia de encruzilhadas. A musica não tinha fim e talvez nunca tenha tido um começo. Sua impressão era que o céu se abrira e despejara notas mágicas para curar almas sofridas como a sua. Nesta noite não era preciso se ter olhos, somente ouvidos atentos para as maravilhas que o silencio podia trazer. E ela ouvia. E chorava. As lagrimas se acabaram docemente, lavando os restos de magoas que pensava esquecidas. O sono chegou para um coração mais leve e quando o primeiro raio de sol rasgou o céu ela dormia com um sorriso no rosto e músculos relaxados. A musica desapareceu entre os dedos da noite sem ninguém notar, mas os corações doloridos acordaram esperançosos no novo dia que nasceu.

Um comentário:

Ricardo Mann disse...

Todo dia é sempre um recomeçar. Gostei muito da associação com a música. Dá para imaginar uma trilha-sonora bem tortuosa, mas ao final... um toque de esperança.
Cuca, eu resolvi reativar meu blog. Tentarei não deixar mais tantos hiatos.
Beijos!