16 de mai de 2010

Com o Pé na Cova


As pessoas sempre se surpreendem quando digo a minha idade. Rio muito quando me tiram 10 anos ou mais e mais ainda quando dizem o quanto minha vivacidade os surpreende para alguém tão perto dos 50. Talvez isso se deva ao fato de que minha memória é fantástica para as coisas que importam. Lembro muito bem de minha infância e mais ainda dos anos confusos da adolescência, mas me lembro ainda melhor da minha mocidade e da alegria de estar viva, ser bela e saudável e ter um cérebro de certa maneira privilegiado, já que em uma era onde o declínio mental começou eu fui capaz de pensar por mim mesma e ganhar meu espaço no mundo sem a ajuda de ninguém. Lembro principalmente dos sentimentos e como era lindo amar e sofrer, e ter esperança e desesperar, sempre pulando de sentimento para sentimento em espaços de tempo que agora me parecem infinitesimais. Talvez minha memória é que tenha me dado a capacidade de me conectar com as pessoas que precisam de um ombro amigo, mas não complacente, de uma pessoa com alguma sabedoria, mas sem medo de dizer verdades, de uma mãe/irmã/mulher que não sinta o peso do tempo. Em jovem me consideravam adulta demais, agora, no que considero o pico de minha vida, me consideram jovem para meus anos. De certa maneira faz sentido, mesmo que somente para mim. Vivi tantas experiências maravilhosas que hoje me farto delas, fecho os olhos e revivo meus momentos mais belos como se tivessem ocorrido ontem. Relembro meus reveses e decepções também, pois a balança precisa estar nivelada e saber viver é entender o que te faz feliz e infeliz, o que lhe traz o sucesso e o fracasso. A felicidade é um mito e estar completamente satisfeito com sua vida é entender que “felizes para sempre” somente existe em contos de fada e que um coração que se contenta com o que tem é jovem para sempre. Este blog se chama Com o Pé na Cova e existe, em muitos provedores, há muito tempo. Ele ganhou este nome quando me disseram, pela primeira vez, que eu estava ultrapassada, velha. Foi feito como uma piada e acabou se transformando em mais uma maneira de me manter jovem e “afiada”. Transformou-se também, para minha surpresa, em um lugar onde maravilhosos amigos foram feitos e onde pude, com meu cinismo e crueza habituais, ajudar aqueles que ainda não tem a memória de tantos sentimentos vividos.
Pelas minhas contas são sete anos de Cova e apesar de me distanciar às vezes, com certeza nunca a abandonarei, é aqui que digo o que penso e tento, com o pouco dom que Deus me deu, transmitir àqueles que ainda são inocentes que mesmo quando tudo parece perdido é preciso dar um passo atrás e olhar o quadro com interesse clinico para então voltar, curtir a dor como ao couro e respirar novamente, sabendo que a dor virá muitas vezes, assim como o amor, os momentos de felicidade, a paixão, a alegria. E vivendo cada momento plenamente chegarão aos 47 surpreendendo a todos com uma juventude que vem de dentro, que vem por finalmente aceitar que a perfeição é ser o que se é sem desejar mais ou menos, fazendo de si mesma o melhor e entendendo que se não é magra o suficiente a culpa é do chocolate que come todas as noites e não do universo, se o cabelo não encaracola é porque é naturalmente liso, se o amor não vem fácil é porque está cada vez mais exigente, se não sai tanto é porque não aceita os convites feitos e se o futebol não lhe traz alegrias é porque escolheu torcer pelo Corinthians. Como mano Urso diz.... Se eu tivesse escolha trocava de time. O resto eu deixo como está.
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3 comentários:

Celso Ramos disse...

Olá Andréa...
Belo testemunho de como viver sem ilusões..sabendo que a vida é essa ambiguidade mesmo, e que nada impede de tentarmos furar a onda mas se sobermos delizar na direção em que ela quebra corremos menos riscos de errar...ou seja, errando é que se erra menos!!! Ou; é na errância em que estamos lançados é que devemos aprender a viver. Parabéns...e desde de os tempos do blig gosto do que escreves!!!
Abraços!!!!

CLICK disse...

Desde os tempos do BLIG ...
Credo, isso é verdade ???Eu sempre ouvi falar em BLIG, Tiranossauro rex, lampião de gás....Mas nunca levei a sério as histórias do meu avô....
Agora, Dona Andrea, já tpomou seu FOSFOSOL hoje ???? Então não esqueça de visitar os amigos.....
e pare de tremer as mãos mulher !!!

Ricardo Mann disse...

Muitos anos de vida para o blog! Que a cova esteja bem longe ainda!