24 de ago de 2009

O Despertar (13° Parte)


O refeitório se achava lotado e todas falavam ao mesmo tempo. Eram mais de cem mulheres se perdendo em mil suposições até que entraram as três que lhes dariam as respostas. Donata veio na frente seguida de Anya e Kália, mas foi para a ultima que as duas mais velhas deixaram a cadeira central e, portanto o papel centralizador desta reunião. Donata tocou o sino que pedia silencio imediato e todas obedeceram deixando morrer rapidamente as suposições.
“Peço a todas que escutem atentamente. Kália, que muitas aqui conhecem pessoalmente, mas que certamente todas conhecem a reputação, falara em nome da Irmandade.” Donata fez um gesto cedendo a Kália a palavra.
“As que me conhecem sabem que sou direta, portanto vamos aos fatos. Existe um rumor que a Irmandade está sob ataque. Quem é nosso oponente não sabemos e nem mesmo se estes ataques são verdadeiros ou somente rumores infundados, mas é fato que nenhuma de nós tem visto caravanas da Irmandade com a freqüência que deveríamos. É preciso averiguar a verdade e se houver qualquer fundamento no que ouvimos não será um grupo pequeno que escapara para contar a verdade às nossas Mães. Conto com o bom senso de cada uma para julgar a própria aptidão para a tarefa, temos neste salão guerreiras experientes, mas nem todas, por mais que desejem, estão em condições de participar de uma jornada que pode ser árdua e onde enfrentaremos forças desconhecidas. Quanto às novatas, peço que se aconselhem com suas treinadoras antes de aceitar uma tarefa que pode estar acima de suas forças. Não questionarei a decisão de cada uma, mas cobrarei o maximo daquelas que aceitarem se juntar a mim. Não é a primeira vez que a Irmandade é atacada, e Oxalá seja somente um rumor infundado, e nem será a ultima, mas desta vez cabe a nós procurar pela verdade antes de combater os culpados. Peço a todas agora que se retirem e tomem sua decisão, em uma hora aquelas que cruzarem esta porta farão parte da caravana. Obrigada a todas.”
O salão se esvaziou em absoluto silencio. Kália permaneceu em pé no centro da mesa observando cada guerreira.
“Muito bem, filha, suas palavras foram diretas. Espero me aceite como a primeira em sua caravana.” Anya falou com um sorriso orgulhoso.
“Anya, não acho sensato que vá, se estamos sob ataque precisamos que as mais experientes das mães permaneçam em seguranças. Lembre-se do que aconteceu no século passado.” Donata a avisou.
“Não vou deixar minha filha se arriscar sozinha numa missão tão perigosa.”
“Isso nunca a preocupou antes.” Kália respondeu meio alheia, mas demonstrando como os anos de abandona a haviam marcado.
Donata segurou a mão de Anya fazendo morrer nos lábios desta o protesto que nascia. Não era hora agora de tentar concertar uma relação, nem mesmo de protestar contra uma verdade. Por mais que Donata amasse Anya, sabia o quanto o abandono da mãe tornara Kália incompleta e insegura durante a maior parte de sua vida.
Não haviam se passado 15 minutos desde que Kália dispensara as guerreiras quando as primeiras passaram novamente pela porta e não pararam de chegar em um fluxo constante. Até a ultima delas.
Continua...
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