
Não desprezamos as muitas conquistas dos séculos anteriores à grande guerra, mas escolhemos com sabedoria o que queremos de volta em nossa nova realidade. Por um tempo, logo no inicio, homens loucos por um retorno à um estilo de vida que nem mesmo conheceram, tentaram produzir gasolina usando velhas destilarias, na ânsia por experimentar a velocidade que tanto ouviram falar, outros se preocuparam com pólvora para munição de armas que nem mesmo sabiam fabricar, outros queriam glamour e fotografias e filmes em um mundo revestido pela poeira de séculos. Logo estes poucos loucos foram trazidos à razão. Precisamos de arado e não de automóveis, precisávamos de telhados contra as chuvas e não de armas e a razão venceu sem muita luta.
Nos dias de hoje mantemos nosso padrão de vida extremamente simples. Andamos pelo mundo à pé, à cavalo ou em carroças. Usamos gado puxando os arados que revolvem a terra e plantamos as sementes nos ajoelhando na terra. Não usamos dinheiro, vivemos à base de troca de mercadorias e cada vila tem um deposito onde cada morador doa o que pode para o fundo comum e o usamos para negociar com as outras vilas por produtos que não produzimos. Temos tecelãs, ferreiros, barbeiros, médicos, pedreiros, arquitetos, engenheiros, artistas, perfumistas, inventores, cabeleireiras, parteiras. E também temos encanamento, energia solar, asa delta, navios, prensas para nossos livros, engenhocas fúteis, jogos, e geladeiras. Da energia solar tiramos somente o necessário, que é basicamente para as geladeiras e luzes de emergência. Gostamos mais das velas, talvez nossos descendentes tenham passado tanto tempo na escuridão que nos passaram seu temor pela luz e alem disso com muitas luzes acesas mal vemos as estrelas e, sinceramente, porque alguém gostaria de suplantar o brilho destas?
Nós, as guerreiras, não temos um lar fixo. Muitas comunidades cresceram longe dos castelos e por isso corremos o mundo onde nossa presença é necessária para restabelecer a ordem e com isso passamos a maior parte de nossas vidas nas estradas. Mas nos períodos calmos, quando somos feridas ou quando nossos braços não mais arcam com o peso da espada, então voltamos para o castelo onde nascemos e lá ajudamos a cuidar dos filhos de outras guerreiras e finalmente descansamos.
Esse é o retrato generalizado de meu mundo. Talvez agora eu deva lhe contar mais historias. Historias de minha vida e de como me tornei uma guerreira.