24 de jun de 2008

Sapatos

Coloquei seus sapatos e eram muito confortáveis. Deram-me a sensação de poder e bem estar que só um bom par de sapatos pode dar. Ofereci os meus pensando estar sendo justa, afinal se eu posso me ver em seus sapatos porque ela não pode provar os meus? Já esperava sua recusa, mas mesmo assim me causou embaraço, ela nem mesmo quis entender o porquê de eu reclamar da dor que me davam quando o dia era longo e os metros compridos demais. Disse simplesmente que não lhe serviam, apesar dos dela me servirem muito bem, e que não entendia o porquê das minhas reclamações sendo que eu mesmo comprara o pobre par. Achei que devia explicar que infelizmente eram o único par que pude conseguir e que haviam parecido bem melhores na vitrina do que posteriormente em meus pés, mas ela não entende sendo que nunca os precisou vestir. Devolvi-lhe os seus sem inveja. Prefiro os meus que apertam nos lugares errados e estão frouxos onde deveriam ser firmes do que sapatos que me dão tanto conforto que evitam que eu veja a dor alheia.

Um comentário:

Thiago Quintella disse...

Andréa, Muito boa essa analogia dos sapatos com as relações humanas. Tem muita coisa subjacente nesse texto que ainda vou descobrir. Mas o que é nosso, as nossas coisas, geralmente gostamos que aperte em determinados momentos