A bondade não tem cheiro, idade ou beleza, mas pode ser vista no brilho de uma lagrima, em um sorriso complacente, no olhar doce, nas mãos amigas. A bondade não tem cor, nem religião e muito menos língua. A bondade mora dentro do peito onde todos somos iguais, feitos de carne, banha, músculos, veias e órgãos. A mão que se estende pode nem sempre estar limpa, mas se está estendida a tome, pois quem a estende merece ao menos essa delicadeza. A bondade não tem carteira, ela independe de status e carreira, é algo muito precioso para poder ser guardado em cofres e muito simples para adornar pescoços em correntes de ouro. A bondade é artigo raro, cada vez mais difícil de se encontrar, mas mesmo exposta não é reconhecida por corações endurecidos pela fúria do século 21. Não sei se o que está pequena é a mente dos humanos ou se somente seu espírito que se desintegra a cada dia, mas o fato é que julgamos o próximo por padrões que não queremos nos ver impostos e nos fazemos de cegos quando o pacote não é tão belo quanto o recheio. A bondade existe, meus amigos, mas é ignorada, pois os que ainda se incomodam em demonstrá-la somente a podem ofertar em pequenas doses. Quer a minha mão? Ou meu ombro amigo? É só o que tenho para dar, mas é mais do que muitos podem lhe oferecer.
29 de mai. de 2008
Bondade
A bondade não tem cheiro, idade ou beleza, mas pode ser vista no brilho de uma lagrima, em um sorriso complacente, no olhar doce, nas mãos amigas. A bondade não tem cor, nem religião e muito menos língua. A bondade mora dentro do peito onde todos somos iguais, feitos de carne, banha, músculos, veias e órgãos. A mão que se estende pode nem sempre estar limpa, mas se está estendida a tome, pois quem a estende merece ao menos essa delicadeza. A bondade não tem carteira, ela independe de status e carreira, é algo muito precioso para poder ser guardado em cofres e muito simples para adornar pescoços em correntes de ouro. A bondade é artigo raro, cada vez mais difícil de se encontrar, mas mesmo exposta não é reconhecida por corações endurecidos pela fúria do século 21. Não sei se o que está pequena é a mente dos humanos ou se somente seu espírito que se desintegra a cada dia, mas o fato é que julgamos o próximo por padrões que não queremos nos ver impostos e nos fazemos de cegos quando o pacote não é tão belo quanto o recheio. A bondade existe, meus amigos, mas é ignorada, pois os que ainda se incomodam em demonstrá-la somente a podem ofertar em pequenas doses. Quer a minha mão? Ou meu ombro amigo? É só o que tenho para dar, mas é mais do que muitos podem lhe oferecer.
27 de mai. de 2008
O homem Verde
Ele era feito de dias e noites, de terra e ar, de folhas e frutos. Tinha no lugar de coração um rubi gigante que brilhava incessantemente dentro de seu peito. Era um homem, sim, mas tão diferente dos outros de sua raça quanto um leão o é de um simples gato. Ele gostava de olhar o mundo, mas nunca era observado, se mesclava à vegetação que dançava ao seu redor e chorava sementes pelo caminho que a humanidade tomava. As flores que nasciam de seu pranto viviam eternamente, murchando e revivendo para espanto daqueles que as viam brotar por entre o asfalto ou no meio do deserto. Pois ele andava.sem descanso e também sem descanso deitava sementes pelo caminho, mas quando olhava para trás via somente mãos ávidas arrancando as margaridas, pés sujos espezinhando as hortênsias, corações gelados passando sobre as rosas e olhos vazios ignorando os girassóis. Ele continuou a andar, mas cada vez mais longe dos homens, tomou posse de um monte e lá vive em meio às flores e arvores esperando que um dia alguém com um coração de carne e sangue sinta prazer no éden que planta com suas lagrimas.
25 de mai. de 2008
Homens

Não é preciso muito para agradar um homem. Também não é preciso muito para desagradá-lo. Por mais que se fale as mulheres ainda continuam querendo discutir a relação, continuam insistindo em falar dos sentimentos, continuam perguntando se estão gordas, se a roupa nova cai bem e se notaram seus penteados novos. NÃO! Homens não notam nada à não ser que sejam obrigados. Eles não querem falar de seus sentimentos e nem mesmo discutir para onde vai a relação, se não for para a cama, não lhes interessa. Homens são criaturas simples, deixem que eles vejam seu futebol, que joguem poker com os amigos uma vez por semana ou simplesmente vão encher a cara com os amigos no bar. Um pouco de liberdade é tudo que eles precisam para agradá-los. Homens somente são realmente homens quando podem interagir com sua própria espécie. As mulheres precisam aprender que exigir que um homem lhes dê completa atenção é a melhor forma de fazer com que eles façam exatamente o contrario. Quem suporta viver voltado somente para uma pessoa? Perpetuamente colado como um monstro de duas cabeças com mentes tão distintas que o fim é uma cabeça tentando devorar a outra. Não. Homens precisam de espaço, de cumprimentos simples e óbvios, de sexo honesto e comprometido e de riso. Mulheres que perdem o bom humor durante um relacionamento estão fadadas ao fracasso. Por um sorriso em lábios masculinos é tão divertido quanto fazer rir à uma criança. É fácil e pode lhe dar mais recompensas do que todo biquinho do mundo.
22 de mai. de 2008
O meu está pela metade.
Existem coisas que me irritam, e isso não é novidade já que muito me irrita nos dias de hoje, mas certas pessoas com sua filosofia de botequim pegam em um nervo que desperta meu lado homicida. Os malditos livros de auto-ajuda são prato cheio para essas pessoas que adoram vomitar as frases batidas e os pensamentos rasos. “Para você o copo está meio cheio ou meio vazio?” Ah... Esta perguntinha me faz afiar facas imaginarias e carregar minha magnum 44 fantasma, é típico de pessoas que dizem achar que o copo está sempre meio cheio, mas são elas mesmas sempre meio vazias. Para deixar o registro, para mim o copo está pela metade e direi que está meio vazio se quero que o encham e que está meio cheio se já atingi meu limite. Todo mundo que lê esse tipo de livros compulsivamente nunca chega aonde quer, parece que o simples fato de se importarem tanto em seguir os ensinamentos vazios atrasa seus passos. Pensamento posivivo, my ass! É muito bom estar de bem com a vida, sorrindo á toa, pensando que tudo VAI melhorar, mas ser assim 7 dias por semana 24 horas por dia é tão irreal quanto coelhinho da Páscoa botar ovo (não, crianças, ele não bota ovo, os pega pronto de um ganso de chocolate). Um depressãozinha não faz mal à ninguém e nem um pouco de pessimismo, vejo todos os dias os otimistas com caras espantadas por não verem seus sonhos realizados. Ser realista quanto às possibilidades de merdas acontecerem é sadio e evita muita dor de cabeça futura. Portanto... Não importa como você vê seu copo, o que importa é como, no final das contas, fica o balanço de sua vida.
5 de mai. de 2008
Hora do ensaio

“Andréa! Você já vai?”
Vejo a companhia toda reunida para o começo dos ensaios e fico mais do que tentada a mandar as obrigações que gritam por mim em casa e me deixar ficar. Minha passagem pela cafeteria foi proposital, sabia que estariam ensaiando para a próxima opera e sempre gosto de roubar um pouquinho da próxima apresentação. Doses homeopáticas que me enchem o coração de algo como chocolate derretido com fios de marshmallow.
Ele pede que um deles cante minha ária favorita de La Boheme. Choro, como sempre. Lagrimas que se derramam sozinhas pulando de meus olhos que piscam incontrolavelmente. Quero vê-los cantar, seus rostos alegres nesse momento de descontração, o recreio do ensaio, como jogadores de futebol que descansam batendo bola na praia.
Vejo que ele me olha, sorri, sabe muito bem que amo o que vejo e escuto. Posso não saber se é a melhor atuação que pode haver, pode até mesmo não ser, mas quem liga quando se tem o coração cheio de chocolate derretido com marshmallow?
27 de abr. de 2008
Para Recuperar Recido do Imposto 2007
Como eu, muitos perderam seus recibos e ficam desesperados, pois a partir deste ano não se entrega declaração sem o ultimo recibo.
Aqui vocês tem um link da receita onde somente com seu nome, cpf e CNPJ da fonte pagadora, é possivel recuperar o numero do recibo.
Receita Federal - Recuperação de Recibo 2007
Boa Sorte!
Aqui vocês tem um link da receita onde somente com seu nome, cpf e CNPJ da fonte pagadora, é possivel recuperar o numero do recibo.
Receita Federal - Recuperação de Recibo 2007
Boa Sorte!
23 de abr. de 2008
Não Transforme o Pinto em Galinha Cega

Um bom papo pode salvar seu dia. O engraçado é que pode surgir de qualquer lugar e você somente precisa ficar atento para lhe dar a devida atenção. Um bom papo é como um pinto novo (o animal, seus mentes poluídas) fica ciscando e ciscando esperando o momento propicio para crescer. É preciso cuidado para não transformar o pinto em galinha, ou melhor dizendo, o papo em fiasco. As duas partes devem estar interessadas. Sempre! Não é educado forçar o papo, como aquela mulher cheia de sacolas do metrô que insiste em te contar cada pequeno incidente de seu dia ou aquele pentelho da fila do banco que quer saber absolutamente toda sua vida e nem percebe como você aperta a bolsa pensando em seqüestro relâmpago. Também é absolutamente inútil tentar ressuscitar papo morto, quando ele falece deixa o coitado descansar e no maximo faz uma pequena prece por ele. O papo do tipo que salva seu dia é aquele inesperado, uma conjunção de idéias e planetas talvez. Sua parte é alimentar de maneira suave, sem se esforçar, porque o cosmos está a seu favor. Simplesmente relaxe e aproveite, pode ganhar pouco com um bom papo, talvez somente um sorriso de alguém doce ou, se tiver sorte, algo muito mais importante. Eu hoje ganhei os dois.
14 de abr. de 2008
New Game
Eu sei que você me olha. Especialmente quando pensa que não vejo. Sei que gosta quando pinto os olhos e os delineio para que fiquem maiores e mais verdes que nunca. Eu sei. Mas faz muito tempo desde que tive certezas, muito tempo desde que desejei a presença e o toque de outro ser. Fico na duvida se seus olhos carregam somente curiosidade ou se traem desejos que não tem coragem de expressar. Não escuto sua voz, nem mesmo sinto seu corpo próximo ao meu, mas mesmo assim eu sei que você me olha. Eu sei. A cada vez que viro meu rosto te vejo me observando e me sinto mais consciente de mim mesma. E meus rosto ganha cores que pensei já não serem naturais e meu coração se acelera e meu sorriso se abre. Não sei se as noites tem estado carregadas de magia ou se sou eu que ando nas nuvens por estes dias, mas eu sei, ah, eu sei, que seus olhos me seguem mesmo quando não deveriam e que parece querer estar no lugar daquele que me abraça e me beija em um simples cumprimento. Já faz tanto tempo que já não sei de mais nada, desaprendi a arte de flertar, esqueci de que posso jogar redes de malhas finas e inesquecíveis, mas que parecem ter se expandido por si só e te prendem a mim pelos seus olhos. Que me seguem. Por onde eu vá. Seus olhos. Eu sei.
8 de abr. de 2008
Há alguns dias atrás...
“Eu não acredito!! Déia, porque você não escreve sobre isso!” E seu rosto de eterna menina parecia subitamente transtornado. Eu acabara de entrar em sua sala e é claro que não fazia a mínima idéia do que falava, mas ela logo me diz com a boca amarga e os olhos tristes. Passam dias enquanto penso “Porque não escrevi sobre isso? Será por estar em todos jornais ou por que me enoja tanto?” Não sei, mas talvez eu tenha algo a dizer.
Há alguns dias atrás uma criança foi espancada, sufocada e depois jogada por uma janela. Se isto por si só não te virar o estomago é porque já está alem do meu alcance te tocar de qualquer forma. O que torna tudo ainda mais triste é que não é uma noticia estranha. Temos todos os dias manchetes como esta e até piores. Crianças arrastadas por carros como bonecos de pano sem valor, crianças torturadas por suas supostas protetoras, crianças largadas em latas de lixo, crianças mortas.
Odeio os noticiários, eles somente me lembram de quanto o mundo é odioso e podre. Não vejo muita esperança para este povo que parece ter esquecido sua humanidade em algum beco escuro, fedido e cheio de vomito. Parecem cada vez mais se afundar em desgraças que impactam por curto período por serem tão comuns. Alguns dias de surpresa e revolta e logo todos estarão mais preocupados com os descerebrados do BBB ou de outro reality show.
Talvez o que me vire o estomago não seja tanto a desgraça anunciada, mas sim o quanto ela é banal nesses dias. O que me transtorna realmente não é a violência, mas sim a completa insensibilidade do ser humano. Cada vez mais uma vida é somente uma folha que pode ser amassada e descartada sem um segundo pensamento.
A morte sempre nos sorriu ironicamente. Através dos séculos sempre houveram assassinos, sádicos e psicopatas nos observando, mas hoje, em nossos amargos dias, eles são a minoria. O que deve nos preocupar é aquele que está sentado ao nosso lado, nos sorrindo docemente até que o contrariemos.
A insensibilidade do ser humano já extinguiu muitas raças, milhares de espécies de animais, florestas inteiras, poluiu oceanos, contaminou o solo, agora, sem mais o que fazer, mata sua própria espécie como solução para qualquer simples problema.
Há alguns dias atrás uma criança foi espancada, sufocada e depois jogada por uma janela. Diga-me, por favor, que isso ainda te choca. Diga-me, por favor, que seu coração ainda sangra por ela. Diga-me que nunca poderá ler isso sem que seu corpo estremeça de repulsa.
2 de abr. de 2008
Coisas que não entendo...
Meninas agora andam de mãos dadas como namorados para cima e para baixo. Fico com a impressão de que não conseguem se equilibrar se contarem somente com suas duas pernas. Às vezes passo por bandos de 5 meninas todas agarradas às mãos umas das outras e eu me colo à qualquer parede próxima com medo de ser levada num mutirão para o mundo encantado de Paris Hilton.O que acontece com os comerciais? Existe uma infestação de comercias sobre absorventes íntimos e produtos que ativam seu intestino. O que se pensa, vendo a programação, é que todo mundo ou está menstruado ou de intestino preso. Nem vamos contar os comerciais para se livrar de gases ou para eliminar o cheiro do banheiro. O meu preferido, preferido no sentido que é o que mais odeio, é o do menino antipático e de voz irritante dizendo “Quero fazer cocô na casa do Pedrinho!” Aproveita e deixa ele por lá para sempre.
Porque os homens ainda usam costeletas? Sei que é preciso reciclar, mas voltar ao visual dos anos 70 ou das novelas mexicanas é algo parecido com se afogar no próprio cuspe. Nojento! Não existe ninguém que fique bem de costeletas, talvez a única exceção seja Clint Eastewood no seu papel de Dirty Harry, mas ele carrega uma Magnum 44 e, portanto pode fazer o que quiser.
Ok, eu sei que ter um celular é uma necessidade nos dias de hoje e eu não me arrependo do meu apesar de ter resistido muito tempo ao canto da sereia, mas é realmente necessário passar o tempo todo com ele colado à orelha? Mesmo quando as pessoas estão acompanhadas não resistem ao grito insistente de seu ringtone favorito. Acho que nem mesmo sabem que estão sendo incrivelmente mal educados quando ignoram sua companhia, fisicamente presente, para dar atenção para quem estiver do outro lado da linha. Come on, people, sejam mais educados!
1 de abr. de 2008
Livros. Cães. Flores. Frutos.

Livros. Cães. Flores. Frutos.
Essa é minha lista de coisas belas e inofensivas. Quem me conhece deve estar se perguntando “onde está o chocolate?” bem, teve que ficar fora da lista já que não é assim tão inofensivo para minhas curvas.
Livros alem de serem inofensivos, a não ser pelo rombo que fazem em meu cartão de credito, ainda são uma fonte conhecimento, mesmo que inútil. Muitas vezes são o escape para o tumulto diário e sempre são os primeiros na lista dos presentes preferidos. Aquele vale presente da Livraria Cultura que seus amigos recebem com um sorriso morno e um agradecimento mecânico serão sempre motivo de YUPIIIIs de minha parte. Podem se perguntar onde está a beleza em meros livros, mas para mim cada um deles descansando em minhas estantes é como uma pintura e me enchem de prazer somente por saber que existem e são meus.
Cães fazem por mim o que nenhum ser humano consegue fazer, me dão a certeza de ser querida por nenhum motivo. Cães são animais cheios de compaixão, amor, honestidade e fidelidade, qualidades em extinção nos seres humanos. Minha paixão por estas criaturas não é nova, mas somente aumenta com a convivência. A beleza inegável do mais sujo vira-latas é a prova de que mesmo no fundo do poço um cão mostra no exterior toda sua beleza interna. Está nos olhos brilhantes e pidões, no abanar do rabo mesmo quando recebe somente indiferença. Eu os amo e eles tornam minha vida plena, sou melhor como ser humano com meus companheiros peludos, sou mais completa.
Flores em vasos, flores em campos, flores em lapelas, flores presas ao cabelo, flores em pétalas pelo chão e pela cama, flores. Flores são uma explosão de sensações. Um buquê nos enche os olhos, nos maravilha o olfato e, passado os primeiros momentos de prazer, nos confortam. Ter um simples arranjo em sua casa ou escritório parece mudar a rotina, a torna menos pesada e o simples ato de regar uma planta uma vez por semana parece fazer com que se senti em comunhão com um mundo bem maior e mais perfeito do que o que está acostumado. Talvez as flores não precisem da água que lhes damos, talvez sejamos nós que precisemos nos sentir parte da beleza com que enchem o mundo.
Frutos são flores rechonchudas e comestíveis. Gosto de ver aquelas frutas estranhas de lugares distantes. Sempre compro uma que seja para experimentar, é como dizer que senti o gosto de um país exótico. Frutos são fonte de alimento, servem perfeitamente como complemente sexual (sabe, como morangos. Não pensem besteiras.), ajudam a matar aquele vazio do meio do dia e enfeitam sua geladeira. Frutos em arvores são como milagres que inflam até ficarem maduros para nosso prazer. Um belo pomar é tão prazeroso quanto um belo jardim.
Livros, cães, flores e frutos são como um mantra para me lembrar que o mundo ainda merece que eu caminhe sobre ele.
30 de mar. de 2008
Romeu
Ele tinha olhos doces, mãos calosas, ombros largos e tórax definido. Sempre parecia estar à procura de algo que se encontrava eternamente fora de seu alcance. Saia todas as noites e rodava as casas noturnas na esperança de um dia encontrar o que faltava em sua vida. Em seus sonhos a companhia perfeita tinha cabelos louros, pernas compridas de coxas grossas, curvas delicadas em um torso delicado, olhos cor de mel com reflexos dourados e a voz calma e até meio infantil que faz da mulher a boneca perfeita. Ele observava e investigava e a cada vez que se aproximava de alguém próximo à imagem desejada encontrava somente decepção. Eram todas fúteis, tristes figuras de cera sem cérebro nem vontade. Seus cabelos eram coloridos, seus seios inflados, sua maquiagem pesada e seus cérebros ocos. Como muitos, nosso Romeu nunca percebeu que buscava o ideal somente olhando o exterior e este pode ser mudado, disfarçado e alterado permanentemente. Num mundo de imediata satisfação é difícil explicar para os ávidos que a perfeição pode estar escondida em qualquer lugar e uma noite nunca será suficiente para saber se descobrir se o ouro jaz sob a terra ou somente barro. Romeu almoçava todos os dias no mesmo lugar e lá muitas vezes dividia a mesa com uma mulher de cabelos castanhos, olhos verdes, seios grandes e naturais e mais carne do que era permitido por cima de seus ossos. Eles liam os mesmos livros e gostavam dos mesmos seriados, conversavam animadamente por todo almoço e quase sempre seguiam para um café para estender o papo. Nossa Julieta estava claramente interessada. Já deixara claro que não tinha namorado e em sua voz rouca e sexy insinuava convites que não tinha coragem de tornar explícitos. Ela era bela em sua simplicidade. Usava pouca maquiagem e desistira de tentar entrar numa calça 38 há muito tempo, mas quem a conhecia sempre se encantava com sua mente ágil e seu humor acido. Romeu sentia falta dela nos dias em que não almoçavam juntos, mas nunca pensou que ela pudesse preencher o lugar que tinha reservado para sua musa, não tinha cabelos louros, nem olhos cor de mel e muito menos um corpo de modelo. Ele não via e ela com o tempo percebeu. Ele continuava sua busca e ela desistiu da sua. Romeu passou a ansiar pela presença de Julieta que parecia ter evaporado do mundo. Deixou de sair pela noite em sua busca para ficar em casa se perguntando por que ela o abandonara. Um dia a viu em outro restaurante acompanhada por outro homem que a tocava como ele somente agora percebia que desejara toca-la. Romeu então passou a sonhar com Julieta, mas nunca mais a viu.
28 de mar. de 2008
A Alma Imoral
Fiquei feliz por ter ficado. Fiquei mais pelos amigos, menos pelo espetáculo, mas certas noites as estrelas estão no lugar certo, você segue seus instintos, deixa o cansaço de lado e algo muito bom acontece. “A Alma Imoral” foi meu ponto de exclamação para uma época de descobertas. Foi a confirmação de que minha insanidade é pura e perfeita e que não se deve fugir do que parece tão certo para sua alma. Imoral. Nunca fui convencional, talvez por agir tão intuitivamente. Até mesmo meus erros, os grandes e pequenos, me levaram a lugares melhores, não materialmente, mas pelo menos me levando a ser a pessoa que sou e da qual, insanamente, tenho orgulho. Se errei para fazer o que era certo ou se acertei fazendo o errado eu não sei, mas de certa maneira depois dessa peça tenho mais fé no ser humano. Fico feliz de saber que existem mais pessoas despreocupadas com os dogmas, o moralismo e as regras impostas por séculos. Fico aliviada de perceber que outros sabem que nem tudo é certo e que deixar de errar é o pior que se pode acontecer, pois significa nunca mais aprender.
Ver o corpo nu andando pelo palco entre pregas de tecido negro é libertador, porque o que vejo realmente é uma alma livre dando seu recado àqueles presos à tantas pequenas coisas que os ancoram firmemente à uma moralidade estúpida e vazia.
Depois de hoje os dedos acusatórios me parecem ainda menos assustadores. Se antes eu dava de ombros e seguia, um pouco insegura, mas convicta de que minha insanidade era saudável, agora eu rio com a certeza de que não quero ser nada mais do que insana.
A peça é uma adaptação do livro homônimo de Nilton Bonder e Clarice Niskier nos brinda com boa hora e meia de perolas nuas e cruas que te levam do espanto do reconhecimento ao riso de puro contentamento. Sinto-me eternamente em debito com está mulher madura e de pele translúcida que apagou sua nudez com a absoluta beleza de suas palavras.
“A Alma Imoral” teve uma única apresentação no Centro da Cultura Judaica, onde esta que vos fala tem a honra de bater ponto das 9 e pouco da manhã até sabe Deus que horas da noite, mas procurem se informar dos horários que será apresentada no teatro da Livraria Cultura. Vale a pena. Podem muito bem descobri uma ou duas coisinhas que mudarão seu modo de olhar para o mundo, se é que um dia realmente o enxergaram.
24 de mar. de 2008
Tidbits - Cantoras
Cristina Aguilera me dá arrepios. Confesso que certas coisas que canta até podem, talvez, se o meu humor do dia permitir, me agradar, mas só se não precisar olhar para sua cara. O responsável pela sua maquiagem deveria ser preso, torturado com agulhas e banhado em azeite fervendo, mas aposto como logo achara logo outro que faça a mesma massa corrida 3 tons mais escura que sua pele. Não entendo como essa mulherada tão preocupada com o peso se ateve a sair de casa com um reboco de 5 cm no rosto. Deve pesar como o diabo.
Fergie me assusta! Brrrrrrrrr e muito. E como ver uma boneca inflável com um corpaço e a cabeça de uma senhora de 50 anos encarapitada no alto. Pode até ser divertido escutar uma coisa ou outra dela, mas acabo nunca prestando atenção tão fascinada que fico com os retoques que são feitos para que os buracos da sua cara desapareçam. E se eu começo a prestar muita atenção nas letras acabo tendo ataque de risos incontroláveis. Parece que hoje em dia só se faz musica para adolescentes com fixação sexual.
Gwen Stefani sempre me faz dançar, mesmo quando acho as letras abobadas Ela tem aquela qualidade “moleque” e simpática que torna impossível não sorrir de seus clips. Mesmo quando as letras são simplistas e obviamente apelativas ao espírito juvenil eu mexo meu corpo no seu ritmo. Seu dom natural para saber o que lhe cai bem, sem escorregar no vulgar, também me leva a admira-la, mas, e, oh, nos dias de hoje sempre existe um mas, o que acontece com seu cabelo? Será que ela um dia na vida saiu de casa sem laquê? Apesar de todo ritmo em sua musica, todo figurino divertido, eu sempre lembro de uma boneca Susi que eu tinha quando pequena, as duas compartilham do mesmo cabelo amarelo de nylon.
Britney Spears? Meu Deus, nem sei por onde começar. Não canta, já não dança, mal sabe se vestir, não tem a mínima idéia do que é roupa intima, tem o senso fashion de um molusco ensandecido e pervertido. Seu cérebro entrou em recesso nos últimos 10 anos e não parece querer voltar das férias eternas no pais da fantasia. Tem um complexo de inferioridade tão grande que somente pode ser aplacado pela orda de paparazzi que a segue. Tem dois filhos que provavelmente já estão com problemas para o resto da vida somente por terem saído dela. Não consegue dizer duas palavras que façam sentido e conseguiu acabar com uma fortuna que deveria durar por gerações.
Amy Winehouse foi uma descoberta que me alegrou demais. Sua bela voz e suas letras explicitamente engraçadas me deram bons momentos e ainda dão. Infelizmente parece que todo seu sucesso só serviu para levá-la para um poço sem fundo e, se ela não se decidir a ser feliz em vez de miserável, ao fim de sua bela voz também. Ao mesmo tempo que tenho pena quando vejo o estado lamentável em que caminha pelas ruas de Londres, tenho desprezo pela fraqueza que a leva a jogar fora todo talento e ser famosa somente por ser uma nojenta e suja viciada.
22 de mar. de 2008
The wheel is turning, but the hamster is dead.
O mundo está ficando extremamente sem graça. Não só existe toda essa mania do politicamente correto levada a décima potencia como as pessoas estão insuportavelmente burras. Ninguém mais entende o humor sardônico e malicioso, todos somente entendem a graça, dúbia, do rapaz transando com a torta ou da garota absolutamente estúpida e loira, não há mais humor com cérebro. Talvez seja por isso que eu aproveite tanto as tardes com mano Urso onde muitas vezes parecemos mais estar duelando do que conversando. De quem será a próxima frase perfeita? Quem fará a próxima conexão brilhante? É como usar espadas feitas de letras e escudos de risadas. Podemos falar por horas a fio, seja seriamente ou não, e nunca nos cansar, nunca ficarmos sem assunto. Lá fora, no mundo tão vasto e já sem sentido para mim, tenho dificuldade em achar alguém que possa ler as entrelinhas, sempre mais divertidas e cheias de sentido que as suas companheiras. Parece que ninguém mais enxerga alem do obvio, talvez seja esse o motivo do sucesso dos reality shows e das comedias adolescentes americanas. Acho que a ignorância me assusta mais que a violência, afinal eu sempre posso ir morar no fim do mundo no alto de uma montanha, mas pensar que um dia não haverá uma palavra que se preste sendo dita... isso me deixa completamente apavorada.
19 de mar. de 2008
uhm?
18 de mar. de 2008
Please, do! Please, don't!
Tenho inveja das pessoas que não vêem a verdade do espelho. Elas estão por toda parte e geralmente alegram meu dia, mas as vezes me assustam terrivelmente. Sou do tipo que se encarada já imagino se a salsa da salada não ficou entre meus dentes, se voltam a cabeça para acompanhar meus passos já penso que minha calça está furada. Ah, sim, tenho inveja das gorduchas de calça baixa e blusa curta que deixam seus pneus ao vento sem vergonha. Que falar das bocas rosa elétrico que mais parecem semáforo em terra de barbies e esmaltes azuis com pequenos decalques assustadores? Como posso traduzir meus sentimentos pelas botas pesadas de salto plataforma de borracha que acompanham vestidos de verão? Como explicar meu sorriso feliz ao ver os cabelos de um loiro mais falso que notas de 3,50 que não combinam nada com tons de pele mais felizes enquadrados pelo castanho natural? Não me entendam mal, não caçôo de quem me alegra o dia, eu as admiro. É preciso coragem para se ignorar, para não se estar consciente dos olhares espantados dos que passam. Gostaria de ter um pouco desse “foda-se” que em muitas mulheres parecem estar permanentemente ligados. Talvez elas sejam mais felizes do que eu, mas ainda assim.... acho que prefiro cobrir meus defeitos e colorir meus branco do meu castanho natural numero 5.3 da Loreal. Cada um sabe o que lhe é mais confortável, mas meus dias serão menos divertidos se uma chuva de bom senso cobrir as mulheres do planeta.
17 de mar. de 2008
Para que perfeição?
Dé, é só um emprego.” E assim, magicamente, minha mãe tirou um peso de meus ombros, bem ela que nunca entende o que penso e porque, mas que na hora certa soube me trazer os pés para a terra. Afinal, é só um emprego. Meu mal é sempre me dar demais, nada eu faço pela metade ou com meio coração. Meu trabalho é uma extensão de mim mesma, do que eu sou e represento, mas não precisa ser assim, porque é sofrer desnecessariamente. Querer que meu trabalho reflita meu eu é absurdamente exasperante já que existem tantos fatores e pessoas envolvidos. Cada um que afeta meu trabalho pode ser uma peça que se encaixa no quebra cabeças ou uma peça duplicada que só me dará dor de cabeça. Nos últimos tempos as peças duplicadas tem se multiplicado de maneira irritante o que me tira do sério e eu de cabeça quente sou um problema para muitos. Hoje resolvi fazer o melhor, não o MEU melhor, mas o melhor que posso com as ferramentas que tenho. Pode não ser O melhor, mas pelo menos parece ser o que as pessoas esperam. Elas não querem que tudo seja perfeito, elas apenas desejam que se faça da maneira mais obvia e simples o que poderia ser feito com perfeição. Não desejam uma maquina bem azeitada e que com o tempo funcione perfeitamente, querem imediatamente um Gol 1.0 que precisa de esforço para subir a ladeira. Como diz minha mãe, é apenas um emprego, então é justo que eu dê o que esperam de mim e mais do que justo que isso me dê menos preocupações e mais tempo livre. Nem sempre as pessoas querem o melhor, na maior parte das vezes elas somente querem o obvio.
11 de mar. de 2008
Closed Eyes
Fecho os olhos em busca de inspiração. Por trás de minhas pálpebras fechadas sinto a pagina em branco brilhando, me esperando, me desafiando. Continuo de olhos fechados buscando por sons, tentando achar aquele que me dirá algo mais alem do obvio. Escuto o sussurrar da TV de minha mãe no quarto ao lado, o girar macio e refrescante de meu ventilador, o exaustor do laptop sempre incansável, o bater ritmado da musica eletrônica na academia atrás de casa. Quase posso ver, de tanto ter visto, a dezena de pessoas nas esteiras, o chiar das esteiras é obvio, no andar recém construído que fica de viés com minha janela. Vozes masculinas anunciam “AIKIDO”, em um brado que já estou acostumada, vindo da sala de aula no primeiro andar. No repentino silencio que se segue escuto a respiração cheia de calor de minha companheira peluda que dorme ao meu lado. No silencio lembro daqueles meus companheiros que se foram e me fazem tanta falta, quero ouvir suas respirações também e escutar seus latidos pedindo atenção, mas isso é passado.Fecho os olhos em busca de algo que não sei o que é, aquele algo que é a diferença entre duelar com a pagina em branco ou bailar com ela. Nem sempre sei o que vai sair, acho que nunca o sei, mas tento ser honesta com a pagina para que ela sempre me receba bem. Uma folha em branco pode ser um desafio ou uma libertação e muitas vezes os dois e aprendi a não forçar a mão em algo que a pagina não quer ver escrita em sua alvura.
Abro os olhos e vejo tudo que amo à minha frente. Meu laptop aberto em sua mesinha portátil sobre minhas pernas esticadas sobre meu edredom favorito que cobre minha cama. A TV, muda, no canal de Mangas, meud DVDs preferidos em seu suporte, meus livros em suas estantes, meus companheiros peludos entrando e saindo do quarto em seus passeios noturnos, os incógnitos em suas esteiras alem de minha janela entre as cortinas quadriculadas de brando e azul, o ventilador amigo em seu bailado constante, os animais de pelúcia, as bolas de New York, as caixas de presente que viraram decoração, meus trecos mais queridos estrategicamente enfiados entre tudo que mais gosto.
Abro os olhos para descobrir que quem quiser me conhecer somente precisa sentar onde estou e olhar em volta.
Fecho os olhos novamente, não para buscar algo, mas somente para apreciar mais esse momento simples que me enche de contentamento.
10 de mar. de 2008
Tidbits
Drenagem linfática, aplicação de enzimas, dieta de folhas e água, cremes de 150 reais, etc, etc... Vejo as mulheres mais tempo tentando entrar numa calça 38 do que tentando arrumar suas vidas. O pior é que nunca as vejo mais belas, somente mais cadavéricas. Devemos poder ser belos e saudáveis e felizes com isso, não neuróticos em busca de um ideal inalcançável. Tentar atingir a perfeição física sem a mental é o mesmo que colher a flor sem perfume ou o fruto sem sabor. Somos imperfeitos, é parte de nosso charme, é o que faz com que sejamos indivíduos. Malditas cirurgias plásticas e seus batalhões de barbies.Adoro aqueles desenhos japoneses de heróis, vampiros e afins. Os tais Manga. Tenho o canal Animax e quando tudo parece muito chato na TV me mudo para lá me divertindo com a sexualidade exagerada, as roupas futuristas, os olhos grandes e a mitologia toda. Para mim os cabelos são um show à parte, nem tanto os das meninas, mas sim dos garotos. São tão estruturados e maravilhosamente absurdos. Completamente absurdos.
Entro no metrô e me sento com meu livro já aberto. Levanto os olhos automaticamente na próxima parada para scanear a multidão que entra e o vejo. Oriental, extremamente bonito, alto, olhos amendoados vindos de alguma mistura de sangue. E os cabelos... Ahhhh, os cabelos. Talvez tenha levado dias até atingir a perfeição. Mechas de negro lustroso quase azuladas em pé em todas direções, mas harmoniosamente. Lindo! Fiquei esperando que tirasse uma espada de sua mochila ou que falasse um daqueles diálogos que mal entendo. Fiquei fascinada. Não pude tirar os olhos dele. Daqueles cabelos. Ele se foi uma estação antes da minha e só então eu percebi que sorria. Meu primeiro Manga em carne e osso!
Sinopses sempre me ajudaram a escolher filmes. Me davam o tom, o tema e a quantidade de sangue que eu veria (nunca neguei ser sanguinária). Hoje em dia não sei quem as escreve, mas imagino que beba muito e fume um baseado atrás do outro. As sinopses se tornaram uma breve declaração de intenção. O filme deveria ser assim, pela mente dopada do sinopcista (inventei a palavra agora?), e até admiro o dopado filho da puta que me engana, pois sua visão é sempre melhor do que o filme, mas se eu colocar a mão em algum deles com certeza o encherei de porrada.
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