30 de jun. de 2008

Madame Butterfly

Militar Americano filho da puta baseado no Japão seduz jovem inocente e se casa sabendo que a cerimônia é invalida em seu país. Após um bom divertimento retorna à pátria com promessa vazia de voltar para a esposa-gueixa. Três anos depois o casamenteiro sacana que a casará com o americano filho da puta tenta empurrá-la para rico nobre japonês que somente permanece casado enquanto a noiva é fresca. Cônsul americano bondoso se compadece de esposa-gueixa abandonada quando vai ler a carta onde americano filho da puta finalmente demonstra toda sua canalhice. Esposa-gueixa revela filho mestiço e pede que Cônsul bondoso avise americano filho da puta que ela o espera com sua cria. Nobre japonês safado e casamenteiro sacana tentam dobrar esposa-gueixa abandonada quando navio de americano filho da puta atraca no porto, partem amargos por não completar seus intentos. Esposa-gueixa, filho-mestiço e criada-sábia esperam toda a noite em vão pelo retorno do cretino. Americano filho da puta aparece casado e pede que cônsul bondoso convença esposa-gueixa e entregar filho para ele e esposa-oficial. Esposa gueixa comete harakiri e todos choram lagrimas de crocodilo sobre o corpo da inocente, mas criada-sábia e cônsul bondoso sinceramente sentem sua trágica partida. Americano filho da puta parte com filho-mestiço e esquece que um dia pisou no Japão.

Madame Butterfly é uma belíssima opera, me deixou sem fôlego e com o gosto amargo na boca que um bom drama deve deixar. Figurino riquíssimo, palco e iluminação perfeitos e personagens carismáticos, infelizmente as cadeiras rangedoras do Teatro Municipal muitas vezes abafaram as vozes lindíssimas dos cantores.

Mesmo assim voltarei, mesmo sabendo que a próxima ópera talvez esteja cheia de personagens pérfidos e inocentes imolados. É disso que é feita a bela ópera, de grandiosidade, drama, sangue e beleza.

Obrigada pela oportunidade, Diógenes, no palco você é tão belo como o é quando está ao meu lado. Kiss.

24 de jun. de 2008

Sapatos

Coloquei seus sapatos e eram muito confortáveis. Deram-me a sensação de poder e bem estar que só um bom par de sapatos pode dar. Ofereci os meus pensando estar sendo justa, afinal se eu posso me ver em seus sapatos porque ela não pode provar os meus? Já esperava sua recusa, mas mesmo assim me causou embaraço, ela nem mesmo quis entender o porquê de eu reclamar da dor que me davam quando o dia era longo e os metros compridos demais. Disse simplesmente que não lhe serviam, apesar dos dela me servirem muito bem, e que não entendia o porquê das minhas reclamações sendo que eu mesmo comprara o pobre par. Achei que devia explicar que infelizmente eram o único par que pude conseguir e que haviam parecido bem melhores na vitrina do que posteriormente em meus pés, mas ela não entende sendo que nunca os precisou vestir. Devolvi-lhe os seus sem inveja. Prefiro os meus que apertam nos lugares errados e estão frouxos onde deveriam ser firmes do que sapatos que me dão tanto conforto que evitam que eu veja a dor alheia.

20 de jun. de 2008

Um pequeno milagre...

Um milagre não é algo absurdo. É somente aquele algo que você desesperadamente espera acontecer se tornando realidade. Milagres podem ser pequenos, mínimos, médios, grandes ou imensos, mas se você não ficar com os olhos abertos pode se passar por um simples acaso, um ato do dia a dia, uma pequena sorte que chega na hora certa. Eu espero por um. Não rezo por ele, não anseio e nem me desespero, mas simplesmente espero que dessa vez esse pequeno milagre que espero venha como um presente pelos anos que esperei em vão. Pode ser que no fim ele venha em outra forma e o aceitarei de braços abertos, mesmo que não com um sorriso, mas sim com lagrimas lavando meu rosto cansado.

17 de jun. de 2008

Noites Melancólicas


Dizem que ele surge em noites de neblina, quando o mar parece mais um céu cheio de nuvens. Dizem que é amaldiçoado e que ver sua silhueta é mau agouro. Mas isso é somente o que dizem. A lenda fala de um capitão cruel e de torturas sem fim, de porões de paredes tingidas de sangue e saques onde uma musica diabólica embalava piratas durante assassinatos e estupros. Quando ele surge no horizonte pode-se ver seu capitão em pé na proa, uma figura negra de cabelos longos que os dedos da neblina acariciam quase com carinho. Do navio só podemos adivinhar as formas elegantes e a potencia de seus canhões que estão sempre expostos por entre as portinholas abertas. Vemos também a sombra das velas negras que se debatem ao vento fantasma que não agita a neblina. É a imagem mais bela que pode surgir sobre esse mar céu da meia-noite, imagem que deveria inspirar enlevo e não temor, mas o ser humano parece sempre preferir acreditar no mal em vez do bem e isso talvez se deva à degeneração de nossa espécie. Eu , quando o imagino em meus sonhos, prefiro acreditar que este navio fantasma surge do fundo do oceano nas noites melancólicas. Nestas noites ele passeia pelo mar onde antes reinava, lembrando do balanço das ondas e dos portos onde outrora ancorava. Vagueia exalando suspiros entre as tabuas lustrosas e embalando uma tripulação de espectros que olha para o horizonte sem rancor. Não há porque ter medo, em noites melancólicas somente as boas lembranças conseguem emergir e apesar de nos causar saudade elas não produzem mal maior do que algumas lagrimas derramadas por um coração enternecido.

16 de jun. de 2008

Regras

Ele sempre vivera segundo regras. Primeiro foram seus pais que diziam que tudo dependia dele se comportar segundo o esperado. Depois viera a escola com suas regras e códigos de conduta que só ele se importava em seguir, afinal era o que se esperava dele. À anos e anos de estudo seguiram-se anos e anos de trabalho onde ser político foi mais importante que ser eficiente, mais isso é o que todos esperam de todos, certo? Sua vida era perfeita, todos invejavam seus ternos de bom caimento, suas namoradas perfeitamente platinadas, seu cargo de titulo pomposo e seu apartamento luxuosamente decorado, mas ninguém o conhecia realmente. Por trás de todas regras estocadas nas estantes de sua memória, de sua personalidade programada para nossos dias, existia um coração jovem e apaixonado à procura de uma saída para sua existência robótica. Seu trabalho o levava aos lugares mais remotos e belos do mundo, mas sempre olhava para tantas maravilhas como uma criança com o rosto colado à vitrine de uma loja de doces e sem um centavo no bolso. Nunca se deu ao prazer de subir ao alto da Torre Eifell ou de caminhar pela muralha da China ou andar pela Praça Vermelho ou mesmo de sentar em um café e sonhar em Casablanca. Sempre concentrado em seu dever e nunca se dando o prazer de ser simplesmente mortal. Seu caminho era sempre em frente e seu coração sempre pesado até que um dia, ao passar por um campo de flores selvagens que viviam sem regras e sem cuidados, sentiu todas amarras se partindo como se as pequenas flores entoassem cânticos mágicos que abriram todas malditas comportas que encarceravam seus sentimentos. A penúltima pessoa que o viu conta que corria nu pelo campo rindo como uma criança, sem medo e sem vergonha, simplesmente livre. A ultima pessoa que o viu conta que vive em uma felicidade serena em uma cabana de conto de fadas na beira de uma floresta e que ri com freqüência, conversa com todos que encontra, ama profundamente as mulheres que lhe cruzam o caminho, aprecia imensamente cada pequena maravilha que encontra e não segue absolutamente nenhuma regra.

15 de jun. de 2008

Quando velhos falam


Dividir experiências e memórias é o que nos resta. Não que não haja algo mais, mas se não tivermos para quem contar o que trazemos no peito o que fazer com toda essa bagagem? Vemos nossas mães e avós relembrando os velhos tempo, historias que já conhecemos, mas que sempre trazem algum detalhe novo, alguma pequena melhoria no roteiro. Não é somente para nosso entretenimento que cada momento de peso em suas vidas é repetido, mas, mais do que tudo, para lhes lembrar que suas vidas tiveram momentos marcantes, que suas vidas não foram em vão vividas. Nossos pais e avós nos lembram constantemente do que aprenderam nos tempos em que honra, dedicação e respeito queriam dizer algo mais que palavras vazias. Tentam, através de suas experiências, nos ensinar que somos responsáveis pelo que acontece ao nosso redor e que nossos erros podem ser concertados ou pelo menos minimizados se ousarmos nos responsabilizar por eles. Mães, pais, avós e avôs nos brindam constantemente com perolas que ignoramos por serem tão constantes. Falhamos em perceber que no meio do borbulhar constante de recordações está a chave para descobrirmos quem somos, pois de suas experiências resultou nossa educação, falha ou não. Passamos tempos demais tentando ignorar o que os velhos falam quando deveríamos lhes emprestar um instante nossos ouvidos e nos maravilhar por quantas mudanças foram capazes de passar, a quantos revezes sobrevieram e quantos amores lhes foram negados. Entender suas vidas é acharmos soluções para as nossas, pois cada vez que lamentam não ter seguido um caminho é como uma placa luminosa nos dizendo “Não desperdicem suas oportunidades. Não ignorem seus desejos”.

14 de jun. de 2008

No Puppet Here

O exterior não é nada. Somos fantoches com mil fios em mãos diferentes e com diferentes agendas. Navegamos pela vida esperando suprir as expectativas alheias e nos esquecemos de nossas próprias. Cada um quer um pedaço de nossa alma e seus propósitos são sempre egoístas. Mesmo quando nos recompensam é somente como um afago na cabeça de um cão, continue fiel, caro amigo, mas obediente, sempre obediente. É chamado de rebelde aquele que não aceita os puxões que lhe dão e caminha somente na direção que sabe ser a certa. Não há porque ter medo, fazer o seu melhor sem ser capacho de ninguém é perfeitamente aceitável, mas vem com uma certa carga, uma certa tarja negra onde se lê “difícil”. Aceite e continue cortando as cordas que tentam lhe prender, pois o único laço aceitável é aquele que você mesmo faz e onde se lê “fidelidade” e esse laço o damos somente para aqueles que ganharam nosso respeito. Somos o que somos, bons ou ruins, mas quando bons podemos nos dar ao luxo de fincar o pé nas coisas em que acreditamos sabendo que o retorno que damos, nossa dedicação e inteligência compensam todo o resto. I’m a rebel, but I like it.

2 de jun. de 2008

Inocência

As pessoas insistem em amadurecer e de certa maneira é a ordem natural das coisas, mas existem partes de nós que podem manter a inocência se ao menos lhes dermos uma chance. Gosto de ainda me surpreender como quando ainda tinha pernas pouco firmes e olhos arregalados para o mundo. Gosto de rir com abandono e de adorar um animalzinho fazendo papel de bobo. Adoro ser meio palhaça e de mostrar a língua para as costas de quem não gosto em vez de me morder de raiva. Me divirto com dancinhas idiotas para fazer rir aos outros e em falar como o exterminador do futuro só porque as mesmas frases de sempre parecem mais divertidas assim. Mantenho algo vivo dentro de mim desde a infância e nem mesmo faço força, somente não quero me separar do que me faz tão inocentemente feliz. Todos finais de semana me sento ao lado do meu irmão no sofá de casa e exercitamos o que temos de melhor, nosso lado completamente insano, escrachado, palhaço e irreverente. Falamos com liberdade, sem medo, aliviados de termos ainda com quem dividir o que temos de melhor. Nossa inocência. Não sei o quanto isso é saudável, mas o fato é que com 45 anos não tenho rugas, apesar de todas dores de cabeça que a vida me dá, e vejo cada cor como ela é e cada imagem com tudo que ela traz de mágico. Olho uma flor ainda tentando entender como pode algo tão belo nascer da terra, quase mordo minhas orelhas tentando entender a maravilha que é um avião, acho cada animal do mundo um milagre dos mais belos e ainda estendo a mão para cada um que encontro mesmo quando me dizem que eles podem morder. Manter o coração batendo não depende do nível de colesterol, do controle da pressão ou da alimentação saudável, mas sim da capacidade de manter dentro dele um santuário à criança que todos um dia fomos.

1 de jun. de 2008

Bloody Depression

Ele pegou o lenço de linho egípcio e delicadamente secou o sangue que escorria de seus lábios. Se alimentar era um assunto tão incomodo em certos dias que quase não valia à pena o esforço. Achar sangue jovem não era difícil, nem mesmo era preciso utilizar seu famoso olhar hipnotizante, era necessário somente estalar os dedos e mostrar os caninos afiados que logo uma legião de jovens lhe oferecia os pescoços sem nem mesmo pedir pela vida eterna. Tão tedioso.... Alem do mais todo esse assunto de sangue era por demais nojento para ele. O liquido viscoso e seu cheiro acre, o pensamento sempre constante de quantas doenças sugava de pescoços nem sempre limpos. Porque as pessoas pareciam menos limpas hoje do que no século 18? Elas cheiravam melhor e não eram ensebadas como seus antepassados, mas pareciam sempre mais podres, menos decentes, mais decadentes. Ele ainda lembrava quando era jovem e achava o mundo um lugar fantástico, via cada transformação como um milagre até que ele mesmo se transformara na criatura que era agora. E os anos se transformaram em décadas e em séculos e nada mais parecia fantástico. Houve época que caçar era um prazer, mergulhava seus dentes em pescoços mais sujos, mas mentes mais brilhantes e o que via naqueles instantes era assustador e maravilhoso. Hoje não havia o perfume forte para esconder a falta de higiene e todos faziam bom uso do sabonete, mas as mentes eram embotadas e os últimos pensamentos tão rasos quanto as poças nas ruas pavimentadas. O sangue de hoje fora razoavelmente limpo, mas a garota parecia viver de vento e, portanto seu sangue fraco não o sustentaria muito tempo. Ele não gostava das magras, eram sempre insípidas e preocupadas com sua aparência até o ultimo segundo “Morrerei magra!” pensavam elas com uma alegria estúpida. E haviam os que se enchiam de drogas e nem mesmo tinham a consideração, quando se atiravam em seus braços, de avisar que sua refeição viria com um nauseante premio extra. Limpou novamente a boca carnuda, olhou para o lenço para sempre maculado e com um suspiro desejou ser mortal para poder partir deste mundo que já não o seduzia mais.

29 de mai. de 2008

Bondade

A bondade não tem cheiro, idade ou beleza, mas pode ser vista no brilho de uma lagrima, em um sorriso complacente, no olhar doce, nas mãos amigas. A bondade não tem cor, nem religião e muito menos língua. A bondade mora dentro do peito onde todos somos iguais, feitos de carne, banha, músculos, veias e órgãos. A mão que se estende pode nem sempre estar limpa, mas se está estendida a tome, pois quem a estende merece ao menos essa delicadeza. A bondade não tem carteira, ela independe de status e carreira, é algo muito precioso para poder ser guardado em cofres e muito simples para adornar pescoços em correntes de ouro. A bondade é artigo raro, cada vez mais difícil de se encontrar, mas mesmo exposta não é reconhecida por corações endurecidos pela fúria do século 21. Não sei se o que está pequena é a mente dos humanos ou se somente seu espírito que se desintegra a cada dia, mas o fato é que julgamos o próximo por padrões que não queremos nos ver impostos e nos fazemos de cegos quando o pacote não é tão belo quanto o recheio. A bondade existe, meus amigos, mas é ignorada, pois os que ainda se incomodam em demonstrá-la somente a podem ofertar em pequenas doses. Quer a minha mão? Ou meu ombro amigo? É só o que tenho para dar, mas é mais do que muitos podem lhe oferecer.

27 de mai. de 2008

O homem Verde

Ele era feito de dias e noites, de terra e ar, de folhas e frutos. Tinha no lugar de coração um rubi gigante que brilhava incessantemente dentro de seu peito. Era um homem, sim, mas tão diferente dos outros de sua raça quanto um leão o é de um simples gato. Ele gostava de olhar o mundo, mas nunca era observado, se mesclava à vegetação que dançava ao seu redor e chorava sementes pelo caminho que a humanidade tomava. As flores que nasciam de seu pranto viviam eternamente, murchando e revivendo para espanto daqueles que as viam brotar por entre o asfalto ou no meio do deserto. Pois ele andava.sem descanso e também sem descanso deitava sementes pelo caminho, mas quando olhava para trás via somente mãos ávidas arrancando as margaridas, pés sujos espezinhando as hortênsias, corações gelados passando sobre as rosas e olhos vazios ignorando os girassóis. Ele continuou a andar, mas cada vez mais longe dos homens, tomou posse de um monte e lá vive em meio às flores e arvores esperando que um dia alguém com um coração de carne e sangue sinta prazer no éden que planta com suas lagrimas.

25 de mai. de 2008

Homens


Não é preciso muito para agradar um homem. Também não é preciso muito para desagradá-lo. Por mais que se fale as mulheres ainda continuam querendo discutir a relação, continuam insistindo em falar dos sentimentos, continuam perguntando se estão gordas, se a roupa nova cai bem e se notaram seus penteados novos. NÃO! Homens não notam nada à não ser que sejam obrigados. Eles não querem falar de seus sentimentos e nem mesmo discutir para onde vai a relação, se não for para a cama, não lhes interessa. Homens são criaturas simples, deixem que eles vejam seu futebol, que joguem poker com os amigos uma vez por semana ou simplesmente vão encher a cara com os amigos no bar. Um pouco de liberdade é tudo que eles precisam para agradá-los. Homens somente são realmente homens quando podem interagir com sua própria espécie. As mulheres precisam aprender que exigir que um homem lhes dê completa atenção é a melhor forma de fazer com que eles façam exatamente o contrario. Quem suporta viver voltado somente para uma pessoa? Perpetuamente colado como um monstro de duas cabeças com mentes tão distintas que o fim é uma cabeça tentando devorar a outra. Não. Homens precisam de espaço, de cumprimentos simples e óbvios, de sexo honesto e comprometido e de riso. Mulheres que perdem o bom humor durante um relacionamento estão fadadas ao fracasso. Por um sorriso em lábios masculinos é tão divertido quanto fazer rir à uma criança. É fácil e pode lhe dar mais recompensas do que todo biquinho do mundo.

22 de mai. de 2008

O meu está pela metade.

Existem coisas que me irritam, e isso não é novidade já que muito me irrita nos dias de hoje, mas certas pessoas com sua filosofia de botequim pegam em um nervo que desperta meu lado homicida. Os malditos livros de auto-ajuda são prato cheio para essas pessoas que adoram vomitar as frases batidas e os pensamentos rasos. “Para você o copo está meio cheio ou meio vazio?” Ah... Esta perguntinha me faz afiar facas imaginarias e carregar minha magnum 44 fantasma, é típico de pessoas que dizem achar que o copo está sempre meio cheio, mas são elas mesmas sempre meio vazias. Para deixar o registro, para mim o copo está pela metade e direi que está meio vazio se quero que o encham e que está meio cheio se já atingi meu limite. Todo mundo que lê esse tipo de livros compulsivamente nunca chega aonde quer, parece que o simples fato de se importarem tanto em seguir os ensinamentos vazios atrasa seus passos. Pensamento posivivo, my ass! É muito bom estar de bem com a vida, sorrindo á toa, pensando que tudo VAI melhorar, mas ser assim 7 dias por semana 24 horas por dia é tão irreal quanto coelhinho da Páscoa botar ovo (não, crianças, ele não bota ovo, os pega pronto de um ganso de chocolate). Um depressãozinha não faz mal à ninguém e nem um pouco de pessimismo, vejo todos os dias os otimistas com caras espantadas por não verem seus sonhos realizados. Ser realista quanto às possibilidades de merdas acontecerem é sadio e evita muita dor de cabeça futura. Portanto... Não importa como você vê seu copo, o que importa é como, no final das contas, fica o balanço de sua vida.

5 de mai. de 2008

Hora do ensaio


“Andréa! Você já vai?”
Vejo a companhia toda reunida para o começo dos ensaios e fico mais do que tentada a mandar as obrigações que gritam por mim em casa e me deixar ficar. Minha passagem pela cafeteria foi proposital, sabia que estariam ensaiando para a próxima opera e sempre gosto de roubar um pouquinho da próxima apresentação. Doses homeopáticas que me enchem o coração de algo como chocolate derretido com fios de marshmallow.
Ele pede que um deles cante minha ária favorita de La Boheme. Choro, como sempre. Lagrimas que se derramam sozinhas pulando de meus olhos que piscam incontrolavelmente. Quero vê-los cantar, seus rostos alegres nesse momento de descontração, o recreio do ensaio, como jogadores de futebol que descansam batendo bola na praia.
Vejo que ele me olha, sorri, sabe muito bem que amo o que vejo e escuto. Posso não saber se é a melhor atuação que pode haver, pode até mesmo não ser, mas quem liga quando se tem o coração cheio de chocolate derretido com marshmallow?

27 de abr. de 2008

Para Recuperar Recido do Imposto 2007

Como eu, muitos perderam seus recibos e ficam desesperados, pois a partir deste ano não se entrega declaração sem o ultimo recibo.
Aqui vocês tem um link da receita onde somente com seu nome, cpf e CNPJ da fonte pagadora, é possivel recuperar o numero do recibo.
Receita Federal - Recuperação de Recibo 2007

Boa Sorte!

23 de abr. de 2008

Não Transforme o Pinto em Galinha Cega


Um bom papo pode salvar seu dia. O engraçado é que pode surgir de qualquer lugar e você somente precisa ficar atento para lhe dar a devida atenção. Um bom papo é como um pinto novo (o animal, seus mentes poluídas) fica ciscando e ciscando esperando o momento propicio para crescer. É preciso cuidado para não transformar o pinto em galinha, ou melhor dizendo, o papo em fiasco. As duas partes devem estar interessadas. Sempre! Não é educado forçar o papo, como aquela mulher cheia de sacolas do metrô que insiste em te contar cada pequeno incidente de seu dia ou aquele pentelho da fila do banco que quer saber absolutamente toda sua vida e nem percebe como você aperta a bolsa pensando em seqüestro relâmpago. Também é absolutamente inútil tentar ressuscitar papo morto, quando ele falece deixa o coitado descansar e no maximo faz uma pequena prece por ele. O papo do tipo que salva seu dia é aquele inesperado, uma conjunção de idéias e planetas talvez. Sua parte é alimentar de maneira suave, sem se esforçar, porque o cosmos está a seu favor. Simplesmente relaxe e aproveite, pode ganhar pouco com um bom papo, talvez somente um sorriso de alguém doce ou, se tiver sorte, algo muito mais importante. Eu hoje ganhei os dois.

14 de abr. de 2008

New Game

Eu sei que você me olha. Especialmente quando pensa que não vejo. Sei que gosta quando pinto os olhos e os delineio para que fiquem maiores e mais verdes que nunca. Eu sei. Mas faz muito tempo desde que tive certezas, muito tempo desde que desejei a presença e o toque de outro ser. Fico na duvida se seus olhos carregam somente curiosidade ou se traem desejos que não tem coragem de expressar. Não escuto sua voz, nem mesmo sinto seu corpo próximo ao meu, mas mesmo assim eu sei que você me olha. Eu sei. A cada vez que viro meu rosto te vejo me observando e me sinto mais consciente de mim mesma. E meus rosto ganha cores que pensei já não serem naturais e meu coração se acelera e meu sorriso se abre. Não sei se as noites tem estado carregadas de magia ou se sou eu que ando nas nuvens por estes dias, mas eu sei, ah, eu sei, que seus olhos me seguem mesmo quando não deveriam e que parece querer estar no lugar daquele que me abraça e me beija em um simples cumprimento. Já faz tanto tempo que já não sei de mais nada, desaprendi a arte de flertar, esqueci de que posso jogar redes de malhas finas e inesquecíveis, mas que parecem ter se expandido por si só e te prendem a mim pelos seus olhos. Que me seguem. Por onde eu vá. Seus olhos. Eu sei.

8 de abr. de 2008

Há alguns dias atrás...

“Eu não acredito!! Déia, porque você não escreve sobre isso!” E seu rosto de eterna menina parecia subitamente transtornado. Eu acabara de entrar em sua sala e é claro que não fazia a mínima idéia do que falava, mas ela logo me diz com a boca amarga e os olhos tristes.
Passam dias enquanto penso “Porque não escrevi sobre isso? Será por estar em todos jornais ou por que me enoja tanto?” Não sei, mas talvez eu tenha algo a dizer.
Há alguns dias atrás uma criança foi espancada, sufocada e depois jogada por uma janela. Se isto por si só não te virar o estomago é porque já está alem do meu alcance te tocar de qualquer forma. O que torna tudo ainda mais triste é que não é uma noticia estranha. Temos todos os dias manchetes como esta e até piores. Crianças arrastadas por carros como bonecos de pano sem valor, crianças torturadas por suas supostas protetoras, crianças largadas em latas de lixo, crianças mortas.
Odeio os noticiários, eles somente me lembram de quanto o mundo é odioso e podre. Não vejo muita esperança para este povo que parece ter esquecido sua humanidade em algum beco escuro, fedido e cheio de vomito. Parecem cada vez mais se afundar em desgraças que impactam por curto período por serem tão comuns. Alguns dias de surpresa e revolta e logo todos estarão mais preocupados com os descerebrados do BBB ou de outro reality show.
Talvez o que me vire o estomago não seja tanto a desgraça anunciada, mas sim o quanto ela é banal nesses dias. O que me transtorna realmente não é a violência, mas sim a completa insensibilidade do ser humano. Cada vez mais uma vida é somente uma folha que pode ser amassada e descartada sem um segundo pensamento.
A morte sempre nos sorriu ironicamente. Através dos séculos sempre houveram assassinos, sádicos e psicopatas nos observando, mas hoje, em nossos amargos dias, eles são a minoria. O que deve nos preocupar é aquele que está sentado ao nosso lado, nos sorrindo docemente até que o contrariemos.
A insensibilidade do ser humano já extinguiu muitas raças, milhares de espécies de animais, florestas inteiras, poluiu oceanos, contaminou o solo, agora, sem mais o que fazer, mata sua própria espécie como solução para qualquer simples problema.
Há alguns dias atrás uma criança foi espancada, sufocada e depois jogada por uma janela. Diga-me, por favor, que isso ainda te choca. Diga-me, por favor, que seu coração ainda sangra por ela. Diga-me que nunca poderá ler isso sem que seu corpo estremeça de repulsa.

2 de abr. de 2008

Coisas que não entendo...

Meninas agora andam de mãos dadas como namorados para cima e para baixo. Fico com a impressão de que não conseguem se equilibrar se contarem somente com suas duas pernas. Às vezes passo por bandos de 5 meninas todas agarradas às mãos umas das outras e eu me colo à qualquer parede próxima com medo de ser levada num mutirão para o mundo encantado de Paris Hilton.

O que acontece com os comerciais? Existe uma infestação de comercias sobre absorventes íntimos e produtos que ativam seu intestino. O que se pensa, vendo a programação, é que todo mundo ou está menstruado ou de intestino preso. Nem vamos contar os comerciais para se livrar de gases ou para eliminar o cheiro do banheiro. O meu preferido, preferido no sentido que é o que mais odeio, é o do menino antipático e de voz irritante dizendo “Quero fazer cocô na casa do Pedrinho!” Aproveita e deixa ele por lá para sempre.

Porque os homens ainda usam costeletas? Sei que é preciso reciclar, mas voltar ao visual dos anos 70 ou das novelas mexicanas é algo parecido com se afogar no próprio cuspe. Nojento! Não existe ninguém que fique bem de costeletas, talvez a única exceção seja Clint Eastewood no seu papel de Dirty Harry, mas ele carrega uma Magnum 44 e, portanto pode fazer o que quiser.

Ok, eu sei que ter um celular é uma necessidade nos dias de hoje e eu não me arrependo do meu apesar de ter resistido muito tempo ao canto da sereia, mas é realmente necessário passar o tempo todo com ele colado à orelha? Mesmo quando as pessoas estão acompanhadas não resistem ao grito insistente de seu ringtone favorito. Acho que nem mesmo sabem que estão sendo incrivelmente mal educados quando ignoram sua companhia, fisicamente presente, para dar atenção para quem estiver do outro lado da linha. Come on, people, sejam mais educados!

1 de abr. de 2008

Livros. Cães. Flores. Frutos.


Livros. Cães. Flores. Frutos.
Essa é minha lista de coisas belas e inofensivas. Quem me conhece deve estar se perguntando “onde está o chocolate?” bem, teve que ficar fora da lista já que não é assim tão inofensivo para minhas curvas.
Livros alem de serem inofensivos, a não ser pelo rombo que fazem em meu cartão de credito, ainda são uma fonte conhecimento, mesmo que inútil. Muitas vezes são o escape para o tumulto diário e sempre são os primeiros na lista dos presentes preferidos. Aquele vale presente da Livraria Cultura que seus amigos recebem com um sorriso morno e um agradecimento mecânico serão sempre motivo de YUPIIIIs de minha parte. Podem se perguntar onde está a beleza em meros livros, mas para mim cada um deles descansando em minhas estantes é como uma pintura e me enchem de prazer somente por saber que existem e são meus.
Cães fazem por mim o que nenhum ser humano consegue fazer, me dão a certeza de ser querida por nenhum motivo. Cães são animais cheios de compaixão, amor, honestidade e fidelidade, qualidades em extinção nos seres humanos. Minha paixão por estas criaturas não é nova, mas somente aumenta com a convivência. A beleza inegável do mais sujo vira-latas é a prova de que mesmo no fundo do poço um cão mostra no exterior toda sua beleza interna. Está nos olhos brilhantes e pidões, no abanar do rabo mesmo quando recebe somente indiferença. Eu os amo e eles tornam minha vida plena, sou melhor como ser humano com meus companheiros peludos, sou mais completa.
Flores em vasos, flores em campos, flores em lapelas, flores presas ao cabelo, flores em pétalas pelo chão e pela cama, flores. Flores são uma explosão de sensações. Um buquê nos enche os olhos, nos maravilha o olfato e, passado os primeiros momentos de prazer, nos confortam. Ter um simples arranjo em sua casa ou escritório parece mudar a rotina, a torna menos pesada e o simples ato de regar uma planta uma vez por semana parece fazer com que se senti em comunhão com um mundo bem maior e mais perfeito do que o que está acostumado. Talvez as flores não precisem da água que lhes damos, talvez sejamos nós que precisemos nos sentir parte da beleza com que enchem o mundo.
Frutos são flores rechonchudas e comestíveis. Gosto de ver aquelas frutas estranhas de lugares distantes. Sempre compro uma que seja para experimentar, é como dizer que senti o gosto de um país exótico. Frutos são fonte de alimento, servem perfeitamente como complemente sexual (sabe, como morangos. Não pensem besteiras.), ajudam a matar aquele vazio do meio do dia e enfeitam sua geladeira. Frutos em arvores são como milagres que inflam até ficarem maduros para nosso prazer. Um belo pomar é tão prazeroso quanto um belo jardim.
Livros, cães, flores e frutos são como um mantra para me lembrar que o mundo ainda merece que eu caminhe sobre ele.